O mercado global de luxo começa a dar sinais de recuperação no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento da consultoria Bain em parceria com a Altagamma divulgado em 25 de junho. Cerca de 60% das marcas de luxo já superam o desempenho do mesmo período do ano passado, um indicador de que o setor recupera terreno após um primeiro trimestre fraco, com queda entre 3% e 5% em moeda constante.

Compradores de luxo em galeria com sacolas de grandes marcas

O cenário básico da Bain projeta alta de 2% a 4% nas vendas de luxo pessoal em 2026, mesmo após meses marcados por tensões geopolíticas, incluindo o conflito no Oriente Médio, segundo reportagem da Reuters.

Experiências ganham espaço sobre produtos

Um dos achados mais relevantes do relatório é a aceleração do consumo de experiências em relação a bens materiais: o interesse por viagens, gastronomia e eventos exclusivos cresce 1,5 vez mais rápido do que o consumo de produtos físicos de luxo em 2026, reflexo de uma mudança estrutural no comportamento do consumidor de alta renda, que valoriza cada vez mais vivências em detrimento da posse.

O relatório também mostra que metade dos compradores de luxo já consulta o mercado de revenda antes de adquirir um produto novo, e a mesma proporção já utiliza inteligência artificial em algum momento da jornada de compra, da pesquisa de produtos à comparação de preços entre marcas e regiões.

Estados Unidos compensam desaceleração na Europa

Geograficamente, o crescimento nos Estados Unidos, impulsionado por marcas nativas americanas e por consumidores mais jovens, ajuda a compensar a desaceleração registrada no Oriente Médio e na Europa. A China, por sua vez, recupera-se de forma gradual, com a categoria de prêt-à-porter crescendo mais do que artigos de couro, tradicionalmente o carro-chefe das grandes maisons no mercado chinês.

Esse movimento de recuperação desigual entre regiões já aparece em decisões recentes de marcas individuais. A Ferrari, por exemplo, testou os limites da disposição do consumidor de luxo a pagar por inovação com o lançamento do Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, recebido com reação mista entre clientes tradicionais da marca.

Marcas de joalheria e relojoaria também aparecem como destaque no levantamento, sustentadas por uma combinação de valorização do ouro e demanda resiliente nas faixas mais altas de preço, padrão observado em reajustes recentes adotados por grifes suíças ao longo do primeiro semestre do ano.

O que o relatório sinaliza para o restante do ano

Para consultorias do setor, a leitura central do relatório é que o luxo não voltou aos patamares de crescimento acelerado da década anterior, mas também não enfrenta uma retração estrutural. Trata-se de um mercado mais seletivo, em que marcas com forte capital de marca e capacidade de inovação conseguem crescer, enquanto outras perdem espaço mesmo em categorias historicamente resilientes.