O mercado de relógios em 2026 concentrou parte relevante de seu crescimento financeiro em peças de altíssimo valor. A polarização ficou evidente em dados de exportação, na programação da Watches and Wonders em Genebra e na estratégia de marcas que reforçaram alta relojoaria, joalheria e produção limitada.
Entre 2000 e 2025, o volume total de exportações suíças caiu de 29,7 milhões para 14,6 milhões de unidades, enquanto o valor quase triplicou, de CHF 9,3 bilhões para CHF 24,4 bilhões, de acordo com a Vogue, que citou dados da Federação da Indústria Relojoeira Suíça. A própria federação suíça informou que as exportações de 2025 somaram CHF 24,4 bilhões e que o número de relógios exportados caiu para 14,6 milhões de unidades.
O dado resume uma mudança estrutural. O setor vendeu menos peças em volume, mas concentrou valor nas faixas superiores. Segundo a Vogue, relógios acima de CHF 50 mil representaram 37% do valor total exportado e geraram 89% do crescimento das exportações em 2025, apesar de corresponderem a apenas 1,4% dos volumes, com base em relatório da Morgan Stanley e da LuxeConsult citado pela publicação.
Watches and Wonders expôs a força da alta relojoaria
A Watches and Wonders Geneva 2026 ocorreu de 14 a 20 de abril no Palexpo, em Genebra, de acordo com o site oficial da Watches and Wonders. A cobertura da Wallpaper* informou que a edição reuniu 65 marcas e destacou lançamentos de casas como Piaget, Vacheron Constantin, Van Cleef & Arpels, TAG Heuer, Bulgari, Patek Philippe, Cartier, Hermès e Rolex.
O recorte apresentado pela feira mostrou que a relojoaria de luxo avançou em duas frentes. De um lado, maisons históricas reforçaram linhas reconhecíveis, formatos icônicos e códigos de marca. De outro, peças de alta joalheria, mostradores com materiais preciosos, complicações mecânicas e séries limitadas ganharam visibilidade como resposta a um cliente que busca diferenciação, raridade e valor simbólico.
A reportagem da Vogue também observou a presença de relógios joalheiros na edição de 2026 da feira. Entre os exemplos citados estavam modelos da Cartier inspirados na coleção Grain de Café, novidades da Bulgari na linha Serpenti Aeterna e novas peças da Chanel na coleção Nœud de Camélia.
Independentes apostaram em raridade e produção limitada
A mesma dinâmica favoreceu fabricantes independentes e marcas com produção restrita. A Vogue citou a Vanguart, lançada com o Black Hole Tourbillon em 2021, como exemplo de marca que opera no território de alto preço, complexidade mecânica e baixa escala. A reportagem também mencionou a Richard Mille como referência de modelo baseado em produção limitada e preço médio elevado.
Esse movimento não elimina o peso das grandes maisons. Pelo contrário, indica que o crescimento financeiro do setor depende cada vez mais de poucos produtos capazes de concentrar valor. Modelos icônicos, relógios joalheiros e alta complicação atuam como pilares de margem, enquanto segmentos de entrada e médio preço enfrentam retração em volume e valor.
No Begold Journal, o tema se relaciona a coberturas recentes sobre novas marcas suíças de relógios, relógios de luxo em Wimbledon e bastidores do savoir-faire em maisons de luxo. Esses links ajudam a situar a relojoaria dentro de uma pauta mais ampla sobre cultura material, branding, escassez e artesania.