O leilão da coleção do bilionário Joe Lewis, ex-proprietário do Tottenham Hotspur, tornou-se a venda de acervo de um único colecionador mais valiosa já realizada no Reino Unido. Segundo o The Art Newspaper, os lotes de Lewis somaram £249,3 milhões em martelo, ou £296,3 milhões com taxas incluídas.

Sala de leilão de arte em Londres durante venda noturna

A sessão completa da noite, que combinou os lotes de Lewis a um leilão mais amplo de arte moderna e contemporânea, arrecadou £393,4 milhões com taxas, batendo o próprio recorde da Sotheby’s para esse tipo de evento em Londres e se tornando a maior soma já alcançada em uma única noite de leilão na Europa.

Resultado quase triplica recorde britânico anterior

O total da noite quase triplicou o recorde britânico anterior, de £101 milhões, estabelecido pela coleção de Pauline Karpidas em setembro do ano passado. A diferença ilustra a magnitude do apetite do mercado por obras de proveniência sólida e qualidade museológica reunidas em um único acervo.

O lote mais valioso da sessão foi “Nu assis au collie”, de 1917, de Amedeo Modigliani, vendido em um único lance por £41,5 milhões em martelo, ou £48,2 milhões com taxas. O segundo maior resultado veio de “Bildnis Gertrud Loew”, retrato de 1902 pintado por Gustav Klimt, arrematado por £36,2 milhões por um colecionador particular asiático.

Joe Lewis construiu fortuna principalmente como investidor e operador no mercado de câmbio, à frente do Tavistock Group, conglomerado com participação em mais de 200 empresas em 15 países. Ao longo de décadas, reuniu uma coleção de arte estimada em US$ 1 bilhão, com obras de nomes como Picasso, Matisse, Lucian Freud e o escultor Henry Moore. Em 2018, já havia vendido o quadro “Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)”, de David Hockney, por US$ 90,3 milhões em leilão na Christie’s, transação que na época se tornou a mais cara já paga por uma obra de um artista vivo.

Compradores asiáticos dominam parte relevante do leilão

Colecionadores da região asiática deram lances em metade dos 25 lotes oferecidos durante a sessão e responderam por cerca de um terço do valor total arrematado, reforçando o peso crescente desse público no mercado internacional de leilões de arte de altíssimo padrão.

Esse protagonismo asiático tem se tornado uma constante nos grandes leilões europeus recentes, à medida que novos colecionadores da região buscam ativamente obras-primas históricas como forma de diversificação patrimonial e construção de prestígio cultural.

O que o resultado sinaliza para o mercado de arte de luxo

O desempenho da venda reforça que o mercado de leilões de arte de alto padrão segue resiliente, mesmo em um cenário econômico global mais cauteloso, desde que as obras ofertadas tenham procedência impecável e qualidade reconhecida internacionalmente. Esses dois fatores continuam sendo os principais determinantes de valor em leilões dessa magnitude.

A importância da procedência documentada, aliás, é tema cada vez mais central no mercado de arte, conforme discutido recentemente em meio ao debate sobre a proposta irlandesa de criar um painel nacional para avaliar obras saqueadas por nazismo e colonialismo, que reforça como o histórico de propriedade impacta diretamente o valor e a segurança jurídica de uma peça.