Instalada na histórica Uxbridge House, a nova galeria da RH em Londres reúne interiores, design, gastronomia e hospitalidade em cinco andares restaurados com Foster + Partners.

A RH abriu em Londres uma de suas operações mais ambiciosas no mercado internacional de interiores de luxo. A nova RH London, The Gallery in Mayfair ocupa a Uxbridge House, no número 7 de Burlington Gardens, endereço histórico situado entre New Bond Street e Savile Row, em uma região associada há décadas ao consumo de alto padrão, à alfaiataria, às galerias de arte e ao comércio de luxo da capital britânica.

Segundo a Wallpaper, a marca norte-americana de mobiliário e lifestyle instalou sua primeira galeria londrina em uma mansão Palladiana rara, originalmente projetada em 1721 pelo arquiteto italiano Giacomo Leoni. O projeto foi restaurado e reimaginado em colaboração com o Foster + Partners, escritório britânico reconhecido por intervenções arquitetônicas de grande escala e pela relação cuidadosa entre patrimônio, tecnologia e experiência espacial.

A operação consolida a estratégia da RH de transformar o varejo de interiores em destino cultural e gastronômico. Mais do que uma loja, o espaço funciona como uma galeria de marca, articulando mobiliário, arquitetura, biblioteca, restaurante, wine bar, tea salon e áreas de convivência em uma experiência contínua. De acordo com a reportagem da Wallpaper, o projeto unifica quatro edifícios em cinco níveis, somando mais de 5.000 metros quadrados.

Uma mansão histórica como cenário de marca

A escolha da Uxbridge House não é apenas cenográfica. O edifício integra a história arquitetônica de Mayfair e aparece documentado pelo British History Online, que registra a construção original entre 1721 e 1723 e sua relação com Giacomo Leoni. Essa base histórica dá ao projeto um peso simbólico pouco comum no varejo contemporâneo, especialmente em um momento no qual marcas de luxo buscam espaços capazes de transmitir permanência, repertório e legitimidade cultural.

A RH chega a Londres depois de avançar por outros mercados europeus. A Wallpaper lembra que a marca já havia inaugurado a RH England em Aynho Park, propriedade histórica em Banbury, em 2023, antes de expandir para cidades como Paris, Milão, Bruxelas, Madri, Munique e Düsseldorf. A Elle Decoration também contextualizou a abertura como parte de uma estratégia global mais ampla, associada ao reposicionamento da RH como marca integrada de mobiliário, hospitalidade, design e experiência.

No térreo, os visitantes entram por um pórtico romano-dórico e chegam à Architecture & Design Library, uma biblioteca dedicada à arquitetura e ao design. A Wallpaper relata que o ambiente reúne pisos de carvalho europeu em espinha de peixe, plintos com linguagem museológica e obras raras, incluindo uma edição italiana de 1521 de De Architectura, de Vitrúvio. A referência é coerente com a narrativa arquitetônica da marca, que usa proporção, materialidade e herança clássica como parte de sua identidade visual.

Interiores, gastronomia e hospitalidade

O projeto não se limita à exposição de mobiliário. A galeria inclui Wine Bar, Tea Salon e The Dining Room, restaurante instalado no antigo salão bancário. Segundo a Wallpaper, o ambiente tem 136 lugares, colunas romanas laqueadas em tom champanhe, teto trabalhado com folha de ouro e lustres de vidro veneziano soprado à mão. O cardápio, ainda conforme a publicação, contempla clássicos britânicos como rib roast e fish and chips, preparados em rotisseries Molteni.

Essa fusão entre interiores, gastronomia e permanência é central para entender a força da RH London. No luxo contemporâneo, a experiência de marca deixou de depender apenas do produto. O espaço físico passou a funcionar como plataforma de relacionamento, cenário cultural e argumento de valor. A galeria em Mayfair insere a RH em um circuito no qual design de interiores, hospitalidade premium e arquitetura patrimonial se reforçam mutuamente.

Nos andares superiores, a matéria da Wallpaper destaca a presença dos salões históricos do Piano Nobile, com tetos do século XVIII atribuídos ao mestre estucador Joseph Rose, agora ocupados pelas coleções RH Interiors. Também há espaços assinados pela designer e hoteleira Anouska Hempel, entre eles The Perch at RH London, com bar em mármore Absoluto Nero e terraço-jardim de inspiração otomana. A presença de Hempel reforça a leitura do projeto como experiência de hospitalidade, não apenas como showroom.

O terceiro piso abriga uma espécie de jardim protegido sob uma grande claraboia, com RH Outdoor, fontes, árvores e lareiras abertas. A proposta aproxima o universo doméstico da linguagem de hotelaria e de clubes privados, um movimento cada vez mais frequente entre marcas que desejam ocupar o tempo do consumidor, e não apenas disputar sua atenção no ponto de venda.

Mayfair como endereço estratégico

A localização também ajuda a explicar a ambição do projeto. A RH London fica em frente à Royal Academy of Arts e próxima de eixos tradicionais do luxo londrino. O endereço oficial da marca aparece na página de localização da RH, em 7 Burlington Gardens. A escolha aproxima a empresa de um público que circula entre arte, moda, design, joalheria e gastronomia, segmentos que compõem o imaginário de Mayfair.

Para quem acompanha arquitetura e design de interiores, a nova galeria da RH é relevante porque mostra como o varejo de luxo está se aproximando de modelos curatoriais. O espaço vende móveis, mas também organiza uma visão de mundo. Ao restaurar uma mansão Palladiana, instalar uma biblioteca de arquitetura, abrir restaurantes e criar ambientes de contemplação, a marca transforma a compra em consequência de uma experiência mais ampla.

Esse movimento dialoga diretamente com a evolução do mercado de luxo. A sofisticação já não está apenas na raridade do objeto, mas na capacidade de construir contexto, atmosfera e memória. Em Londres, a RH parece apostar exatamente nesse território. A galeria em Mayfair não se apresenta como uma simples entrada no mercado britânico, mas como uma declaração sobre o futuro do design de interiores de luxo: menos transacional, mais imersivo, mais arquitetônico e profundamente dependente da qualidade do lugar.