Em abril de 2026, o Evvai entrou para uma categoria que ainda não existia na gastronomia brasileira: restaurantes com três Estrelas Michelin.

A casa de Luiz Filipe Souza, na Rua Joaquim Antunes, em São Paulo, recebeu a distinção máxima do guia ao lado do Tuju. Os dois tornaram-se simultaneamente os primeiros restaurantes do Brasil e da América Latina a alcançar três estrelas.

No Evvai, a característica mais interessante para entender essa conquista está no conceito que o restaurante chama de cozinha Oriundi.

O que significa Oriundi

A palavra italiana “oriundi” é usada para se referir a pessoas de origem italiana ou a seus descendentes nascidos fora da Itália.

No restaurante, o termo foi transformado em uma maneira de pensar cozinha.

Luiz Filipe Souza trabalha a história da imigração italiana no Brasil, mas evita reproduzir simplesmente um repertório tradicional italiano em São Paulo.

Produtos brasileiros, memórias de famílias imigrantes, técnicas contemporâneas e referências dos dois países são colocados em diálogo.

O próprio Evvai define sua cozinha como italiana imigrante integrada aos produtores locais.

Um único menu degustação

A experiência principal é organizada no Menu Oriundi.

O Guia Michelin descreve a sequência como uma fusão de influências brasileiras e italianas e destaca a maneira como o chef trabalha temperaturas como parte da textura dos pratos.

Entre as criações citadas pela seleção estão uma moqueca branca com lula e pupunha e a Bomba de vieira, preparação que permanece no repertório do restaurante enquanto muda de forma conforme o menu.

A proposta não depende, portanto, de manter pratos imutáveis.

A identidade está mais na relação entre origem, produto e técnica do que em uma lista fixa de receitas.

O chef desenha a história dos pratos

Há um detalhe pouco comum na experiência.

As etapas do menu são acompanhadas por ilustrações feitas pelo próprio Luiz Filipe Souza.

Os desenhos ajudam a contextualizar a origem ou o raciocínio de determinadas criações.

Esse recurso surgiu como uma forma de ampliar a narrativa do menu e acabou se tornando parte reconhecível da experiência do Evvai.

Em um restaurante de alta gastronomia, a explicação de um prato costuma depender exclusivamente do serviço de salão. No Evvai, parte dessa narrativa chega à mesa como desenho.

De São Paulo para o Bocuse d’Or

Luiz Filipe Souza também tem uma trajetória ligada à competição gastronômica internacional.

Em 2019, representou o Brasil no Bocuse d’Or, um dos concursos de cozinha mais conhecidos do mundo.

No Evvai, porém, o trabalho autoral ganhou uma linguagem menos ligada à competição e mais próxima da construção de uma identidade entre dois países.

O endereço fica na Rua Joaquim Antunes, 108, na região entre Jardins e Pinheiros.

O que as três estrelas mudam

O Evvai já fazia parte das principais listas gastronômicas do país antes de 2026.

A terceira estrela muda a escala da distinção.

No sistema Michelin, três estrelas correspondem ao nível máximo atribuído a um restaurante. Até a edição de 2026, nenhuma casa brasileira ou latino-americana havia alcançado essa categoria.

Evvai e Tuju chegaram juntos.

Isso significa que a história do restaurante agora se confunde com um marco mais amplo para a alta gastronomia de São Paulo.

Uma cozinha brasileira sem abandonar a Itália

O dado mais interessante do Evvai não está apenas na quantidade de estrelas.

Está na maneira como o restaurante construiu uma cozinha brasileira a partir de uma herança italiana sem tentar escolher um dos lados.

Oriundi é justamente a palavra que permite ocupar esse espaço intermediário.

Brasil e Itália aparecem não como duas cozinhas separadas colocadas no mesmo menu, mas como culturas que já se misturaram durante gerações de imigração.

Em 2026, essa leitura levou o Evvai ao ponto mais alto da classificação Michelin.