O Zoli abriu no campus de arte contemporânea Amant, em East Williamsburg, no Brooklyn, e passou a inserir gastronomia autoral dentro de uma instituição dedicada a exposições, programas públicos e residências artísticas. O restaurante foi analisado por Helen Rosner no The New Yorker, que publicou a crítica em 12 de julho de 2026 e descreveu o endereço como parte central da nova circulação cultural do complexo.

A temporalidade da matéria exige o uso do passado. Segundo o The New Yorker, o Zoli abriu na primavera no espaço da Amant e já operava quando a crítica foi publicada. O texto destaca a cozinha de Ned Baldwin, chef ligado ao Houseman, em Manhattan, ao lado de Danny Roberts e Aimee Li.

A Amant se apresenta como centro de arte contemporânea sem coleção permanente, fundado em 2019 no Brooklyn, de acordo com a página institucional da Amant. A organização informa que seu campus de 31 mil pés quadrados e cinco edifícios inclui galerias, espaço de performance, livraria, café, restaurante e programa de residências, com ênfase em pesquisa, experimentação e diálogo artístico.

Restaurante ocupa um campus de arte contemporânea

O Zoli funciona dentro de uma arquitetura que evita a leitura convencional de restaurante luxuoso. De acordo com o The New Yorker, o salão foi desenhado pelo escritório brooklynita G.R.T. Architects e combina paredes de bloco aparente, madeira de tom quente, escada central e ambiente de pé-direito elevado. A mesma apuração informa que bar e sala de jantar são divididos por “Satellite”, instalação de aquários do artista Pierre Huyghe.

A própria Amant confirma que o restaurante do campus foi projetado pelo G.R.T. Architects, enquanto o conjunto arquitetônico da instituição foi desenhado pelo escritório SO-IL como campus de arte. Essa relação entre gastronomia, design e instituição cultural aproxima o Zoli de projetos em que o restaurante deixa de ser apenas serviço de apoio e passa a integrar a narrativa espacial do endereço.

No Begold Journal, o tema se conecta a coberturas sobre restaurantes em que interior, arquitetura e gastronomia são tratados como sistema único, como o Golden Avenue em Brisbane. A diferença, no caso do Zoli, está na recusa de uma opulência evidente e na aproximação com linguagem de centro de arte, materiais crus e obras instaladas no próprio percurso do salão.

Ned Baldwin conduziu menu de ingredientes e experimentação

A cozinha do Zoli foi apresentada pelo The New Yorker como um repertório orientado por ingredientes, variações sazonais e pratos pouco óbvios. Entre os itens citados pela crítica aparecem a salada Olney, ostras com dashi de pepino, mexilhões marinados, surf clam com tamarindo, robalo inteiro com molho basco pil-pil, fluke com creme aromatizado por lovage e batatas fritas servidas com rouille.

O texto também registrou pratos de maior estranhamento, como brotos de daylily com folhas amargas e vinagrete de anchova, corações de pato grelhados e sobremesas com alho negro fermentado ou raspas de Taleggio. Esses elementos foram tratados na crítica como parte de uma cozinha experimental que, segundo a avaliação do The New Yorker, mantém prazer à mesa apesar de escolhas incomuns.

A operação está associada ao horário noturno do campus. A página de visita da Amant informa que o Zoli funciona de quarta a domingo, das 17h às 23h, enquanto as galerias da instituição abrem ao público de quinta a domingo em horários próprios. O dado reforça a integração, mas também separa as rotinas de restaurante e programação expositiva.

O interesse do Zoli para o mercado de luxo está menos em sinais materiais de ostentação e mais na combinação entre gastronomia, arte contemporânea, arquitetura e público cultural. Esse recorte também aparece em outras coberturas do Begold Journal sobre restaurantes de alto padrão, como a chegada da Langosteria ao Old War Office e a cena gastronômica de La Jolla após a estrela Michelin do Lucien.