Evento privado em Buenos Aires abre as comemorações do aniversário, antecipa duas exposições e destina sua arrecadação ao projeto que levará o museu a aproximadamente 8 mil m².
A celebração dos 25 anos do MALBA começa quatro dias antes do aniversário do museu e alguns metros abaixo do nível da rua. Em 17 de setembro de 2026, uma gala privada reunirá colecionadores, artistas, empresários, filantropos e representantes de instituições culturais na sede da Avenida Figueroa Alcorta, em Buenos Aires. Os recursos arrecadados serão destinados à expansão do edifício sob a Plaza República del Perú.
O projeto subterrâneo permitirá ampliar as áreas dedicadas à coleção e às exposições temporárias. A nova construção deverá levar o MALBA a aproximadamente 8 mil metros quadrados, quase o dobro da superfície atual, de acordo com o anúncio oficial sobre a expansão. O museu ainda não informou orçamento, autoria arquitetônica ou data de conclusão da obra.
Antes do jantar, os convidados terão acesso antecipado a duas exposições preparadas para o aniversário. Uma amplia a montagem da Coleção MALBA Costantini. A outra, “Viva Frida”, aproxima objetos pessoais, roupas, cartas e aparatos ortopédicos de Frida Kahlo de duas pinturas centrais do acervo do museu.
A gala acontece antes do aniversário propriamente dito
A Gala MALBA 25 será realizada na quinta-feira, 17 de setembro. O programa começa às 19h30 com coquetel e pré-abertura das exposições. O jantar está marcado para as 21h. O próprio museu define a noite como uma gala privada, de acordo com a programação oficial do evento.
A data abre as comemorações, mas não corresponde ao aniversário exato. O MALBA recebeu o público pela primeira vez em 21 de setembro de 2001. A programação de 2026 se estende até a mesma data, quando a instituição completa um quarto de século.
O museu nasceu a partir da coleção particular de Eduardo F. Costantini. O edifício da Avenida Figueroa Alcorta foi projetado pelo escritório AFT, vencedor de um concurso internacional realizado em 1997. Quatro anos depois, em 21 de setembro de 2001, as portas foram abertas ao público, de acordo com a história institucional do MALBA.
O conselho honorário reúne nomes de quatro continentes
A lista do Honorary Council coloca a gala em uma rede internacional de colecionismo, filantropia e instituições culturais. O comitê inclui Sheikha Al Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani, presidente da Qatar Museums; Patricia Phelps de Cisneros; Alice Walton; Patrizia Sandretto Re Rebaudengo; Francesca Thyssen Bornemisza; Jorge e Darlene Pérez; Craig Robins; Eugenio López Alonso; Isabel e Agustín Coppel; José Olympio Pereira; Heitor Martins; Alfredo Setúbal; e Carmen Reviriego.
A composição do conselho, entretanto, não funciona como confirmação de presença. Na atualização publicada em 31 de agosto, o MALBA informou que espera receber alguns de seus integrantes e citou especificamente Sheikha Al Mayassa, Patricia Phelps de Cisneros, Eugenio López Alonso, José Olympio Pereira, Carmen Reviriego e Patrizia Sandretto Re Rebaudengo, de acordo com o cronograma atualizado das comemorações.
Alice Walton e os outros integrantes continuam no Honorary Council, mas não foram incluídos pelo museu na relação de presenças esperadas divulgada até agora. A distinção evita transformar um vínculo honorário com a gala em confirmação de participação na noite.
Os convidados verão Viva Frida antes do público
A gala dará acesso antecipado a “Viva Frida”, exposição organizada pela Semana de la Alta Costura Argentina e pelo Museo Frida Kahlo, do México. A direção do projeto é de Elina Costantini, com curadoria de Circe Henestrosa e assessoria curatorial de Gannit Ankori.
A mostra reúne roupas, joias, cosméticos, cartas, fotografias, corsets e outros aparatos ortopédicos, além de material de arquivo. Os objetos foram encontrados em 2004 na Casa Azul, na Cidade do México, e ajudam a observar como Frida Kahlo utilizou vestuário, autorrepresentação e referências culturais mexicanas na construção de sua imagem.
Esse material será apresentado em diálogo com obras da Coleção MALBA Costantini. Entre elas estão “Autorretrato con chango y loro”, de 1942, e “Diego y yo”, de 1949, além da litografia “Sin título (El aborto)”, de 1932, de acordo com a página oficial de Viva Frida.
A inauguração oficial está marcada para 19 de setembro, às 19h. A exposição abre ao público no dia 20 e permanece em cartaz até 15 de março de 2027. O acesso antecipado durante a gala coloca a noite de 17 de setembro no início efetivo da nova programação expositiva do museu.
A coleção permanente ganhará cerca de 30 obras
A segunda pré-abertura da gala será a ampliação de “Latinoamérica en expansión”, montagem da Coleção MALBA Costantini iniciada em maio de 2026. A partir de 19 de setembro, três novos núcleos acrescentarão cerca de 30 obras ao percurso.
A reorganização responde à incorporação da Coleção Daros Latinamerica e amplia a presença da produção contemporânea. Em vez de apresentar a coleção como uma sequência cronológica única, a montagem estabelece relações entre artistas, movimentos, territórios e conflitos culturais da América Latina.
O público encontrará trabalhos de diferentes períodos em diálogo, incluindo nomes associados ao modernismo, à abstração geométrica, à nova figuração, à arte conceitual, à fotografia, ao vídeo e à instalação. As informações sobre a nova configuração constam na página oficial de Latinoamérica en expansión.
A expansão será construída sob a Plaza Perú
A festa também funciona como instrumento de financiamento. O MALBA afirma que o valor arrecadado pela gala será destinado ao crescimento da instituição e ao projeto de ampliação por baixo da praça vizinha ao museu.
A escolha de uma expansão subterrânea permite acrescentar áreas expositivas sem criar um novo volume acima da Plaza República del Perú. Segundo o museu, a intervenção elevará a superfície total para aproximadamente 8 mil metros quadrados e abrirá espaço para um programa integrado de design e arte têxtil, de acordo com o comunicado institucional sobre o projeto.
O anúncio oficial relaciona diretamente a obra ao crescimento da coleção. Ainda não foram divulgados o orçamento, o escritório responsável pelo desenho, o cronograma de construção ou a data prevista para a abertura dos novos espaços.
Uma aquisição de 1.233 obras mudou a escala do acervo
A necessidade de ampliar o prédio ficou mais evidente em dezembro de 2025. Naquele mês, Eduardo F. Costantini adquiriu a Coleção Daros Latinamerica, formada por 1.233 obras de 117 artistas da região, produzidas principalmente entre as décadas de 1950 e 2010.
Com a incorporação, as coleções de arte latino-americana moderna e contemporânea do MALBA e de Costantini quase dobram de tamanho e passam a reunir conjuntamente cerca de 3 mil obras, de acordo com o anúncio oficial da aquisição.
O conjunto Daros amplia especialmente a presença de fotografia, vídeo e instalação. Inclui obras de Ana Mendieta, Rosângela Rennó, Paz Errázuriz, Alfredo Jaar, Melanie Smith, Julio Le Parc, Lygia Clark, Gego, Mira Schendel, Cildo Meireles e Belkis Ayón. Setenta e cinco artistas entram pela primeira vez nas coleções do MALBA e de Costantini.
A dimensão da operação altera também o alcance geográfico do acervo. Países como Colômbia e Cuba ganham representação mais ampla, enquanto Costa Rica, Honduras, Jamaica, Panamá e República Dominicana passam a integrar a coleção de maneira mais consistente.
O acervo próprio já reúne acima de 700 obras
Antes da aquisição da Daros, a coleção própria do museu já reunia acima de 700 obras de aproximadamente 200 artistas. O recorte parte dos primeiros movimentos modernos latino-americanos e alcança a produção contemporânea, de acordo com a apresentação institucional do MALBA.
A coleção inclui artistas da Argentina, Brasil, México, Uruguai, Chile, Colômbia, Venezuela e outros países da região. Tarsila do Amaral, Frida Kahlo, Diego Rivera, Joaquín Torres García, Wifredo Lam, Antonio Berni e Cándido Portinari estão entre os nomes associados ao núcleo histórico.
A Daros acrescenta densidade à segunda metade do século 20 e ao início do século 21. A expansão física sob a praça responde, portanto, a uma transformação quantitativa e curatorial: o museu precisa exibir uma parcela maior de um acervo que mudou de escala.
Quatro dias de programação pública seguem a gala
Depois do evento privado, o aniversário continua de 18 a 21 de setembro com seminários, inaugurações, atividades educativas, literatura, cinema ao ar livre, música e moda. A entrada no museu será gratuita nos dias 19, 20 e 21, de acordo com o programa público do MALBA 25.
No dia 18, o seminário internacional “Latinoamérica en escena” reúne artistas, colecionadores, curadores e dirigentes institucionais. Estão previstas participações de Beatriz Milhazes, Tomás Saraceno, Patricia Phelps de Cisneros e Patrizia Sandretto Re Rebaudengo.
A programação inclui ainda uma conversa entre Sheikha Al Mayassa e Glenn Lowry, que dirigiu o Museum of Modern Art de Nova York entre 1995 e 2025, e uma entrevista de Eduardo Costantini com Patricia Phelps de Cisneros, de acordo com a agenda oficial do seminário.
Nos dias seguintes, as atividades ocupam o edifício, a esplanada e a Plaza Perú. Estão previstos DJ sets, desfile de moda, oficinas, programação de literatura, projeções e visitas às exposições. No dia 21 de setembro, exatamente 25 anos depois da abertura ao público, o ciclo termina com atividades gratuitas.
A gala abre o segundo quarto de século do MALBA
A noite de 17 de setembro concentra os principais movimentos preparados para o aniversário. Antecipará a exposição dedicada a Frida Kahlo, apresentará a ampliação da coleção permanente e levantará recursos para o crescimento subterrâneo do museu.
A presença de integrantes do conselho honorário conecta Buenos Aires a redes internacionais de colecionismo e filantropia. Ao mesmo tempo, a aquisição das 1.233 obras da Daros e a perspectiva de quase duplicar a área do edifício dão à celebração um efeito concreto sobre a estrutura do MALBA.
O jantar começa às 21h, mas a programação do aniversário prossegue até 21 de setembro. Nessa data, o museu completa 25 anos desde a primeira abertura ao público e encerra quatro dias de atividades em torno das exposições e da praça sob a qual pretende construir sua próxima etapa.