A casa mais próxima fica a cerca de 800 metros. A água nasce dentro do terreno. Há uma horta cultivada sem produtos químicos, galinhas, composteiras, uma oficina para trabalhos manuais e uma pequena cachoeira criada a partir da nascente da propriedade.
É nesse cenário em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, que Marcello Novaes encontrou um contraponto à rotina profissional na capital fluminense.
O sítio voltou a despertar atenção nos últimos dias, com novas reportagens sobre a vida do ator na serra. A história, porém, começou muito antes. Novaes frequenta o lugar desde os 14 anos, quando a propriedade ainda pertencia a um tio. Décadas depois, comprou o imóvel e passou a dividir cada vez mais o tempo entre o Rio de Janeiro e Teresópolis.
O que chama atenção agora é o quanto uma escolha pessoal iniciada ainda na adolescência coincide com algo que pesquisas de 2026 passaram a identificar de maneira mais ampla: o desejo de trocar excesso de estímulos por natureza, silêncio e tempo desacelerado.
Marcello Novaes conheceu o sítio aos 14 anos
A relação de Marcello Novaes com Teresópolis não nasceu de uma mudança recente de estilo de vida.
Em entrevista ao Gshow, o ator contou que tinha 14 anos quando começou a frequentar o sítio do tio. Enquanto vivia no Rio, preferia passar períodos na serra, cercado pela vegetação, a frequentar shoppings na Zona Sul carioca.
O tio mantinha uma pequena oficina e ensinou ao adolescente noções de mecânica e elétrica. A influência permanece visível décadas depois. Novaes mantém uma oficina na propriedade e realiza pessoalmente diferentes trabalhos de manutenção, incluindo marcenaria, pintura e reparos elétricos.
Ele também afirma ter idealizado parte das intervenções e da decoração do sítio, recorrendo a um primo engenheiro quando precisa de cálculos estruturais para construções maiores.
A propriedade acabaria sendo comprada por Marcello Novaes. Foi durante a pandemia de Covid-19, entretanto, que a relação com o lugar se intensificou. O ator passou aproximadamente dois anos no sítio e, posteriormente, passou a privilegiar períodos maiores em Teresópolis.
Hoje, ele mantém também uma residência na Barra da Tijuca, no Rio, utilizada especialmente quando os compromissos profissionais exigem sua permanência na cidade. Reportagens publicadas em agosto de 2026 voltaram a destacar essa rotina dividida entre a capital e a serra.
O vizinho mais próximo está a cerca de 800 metros
Talvez o número que melhor ajude a entender a propriedade de Marcello Novaes não seja sua metragem.
É a distância.
Pelo relato publicado pelo Gshow, a residência mais próxima fica a aproximadamente 800 metros do sítio.
Em regiões metropolitanas, 800 metros podem significar alguns quarteirões. Ali, a distância representa outra coisa: espaço entre uma casa e outra.
O dado também ajuda a explicar por que o ator se refere ao lugar como um ambiente de paz e de forte contato com a natureza.
Esse isolamento não significa ausência de estrutura. A propriedade reúne piscina, sauna, quadriciclo, instrumentos musicais e espaços de convivência frequentados também pelos filhos de Novaes. Há ainda a oficina dedicada aos trabalhos manuais.
Uma reportagem publicada pelo O Globo em 30 de agosto de 2026 acrescenta outro detalhe peculiar ao sítio: uma piscina adaptada com ondas artificiais, na qual o ator pratica surfe sem sair da serra.
Uma nascente permitiu criar uma pequena cachoeira
Outro elemento incomum está no próprio terreno.
Há uma nascente de água dentro da propriedade de Marcello Novaes. Foi aproveitando esse recurso natural que o ator mandou criar uma pequena cachoeira no sítio.
É importante fazer a distinção: a cachoeira não era originalmente uma formação natural existente daquela maneira. Novaes explicou que aproveitou a água da nascente para construir a estrutura.
O resultado passou a integrar a paisagem da propriedade e é um dos elementos mais fotografados do lugar nas reportagens recentes.
A presença da água, da vegetação e do afastamento entre as casas ajuda a colocar o sítio dentro de uma discussão que ganhou relevância justamente em 2026.
Por que esse refúgio de Marcello Novaes conversa com 2026
A conexão exige uma ressalva.
Marcello Novaes não se mudou para a serra porque viver perto da natureza se tornou tendência. Sua relação com o lugar começou há aproximadamente cinco décadas.
O interessante é justamente o contrário: a vida que ele construiu ali antecipou, por circunstâncias pessoais, algumas características que hoje aparecem nas pesquisas sobre comportamento de viagem.
A 7ª edição da Revista Tendências do Turismo 2026, elaborada pelo Ministério do Turismo em parceria com Embratur e Braztoa, mapeou 18 tendências a partir da análise de 32 publicações internacionais. A sexta delas é a “conexão com a natureza”.
O documento aponta viajantes em busca de experiências em parques nacionais, reservas e outras unidades de conservação. Atividades como trilhas e observação de animais aparecem em destaque por permitirem uma conexão mais profunda com a natureza.
Não se trata de uma pesquisa sobre compra de imóveis ou mudança de residência. É um estudo de turismo. Mas os fatores valorizados ajudam a compreender um imaginário contemporâneo no qual silêncio, distância e natureza passam a ter valor aspiracional.
E outro levantamento permite quantificar parte desse desejo.
47% dos viajantes brasileiros querem férias mais perto da natureza
Nas Previsões de Viagem para 2026 da Booking.com, 47% dos viajantes brasileiros entrevistados afirmaram que tirariam férias especificamente com o objetivo de ficar mais perto da natureza.
Outros 37% disseram estar adotando hobbies mais tranquilos durante as viagens.
A pesquisa foi realizada online entre julho e agosto de 2025 com 29.733 adultos de 33 países e territórios que planejavam viajar a lazer ou a negócios nos 12 a 24 meses seguintes. Portanto, é um indicador de intenção, e não uma medição de todas as viagens realizadas em 2026.
Mesmo assim, alguns resultados são expressivos. Entre os brasileiros, 86% demonstraram interesse em pesca ou observação de pássaros, enquanto 74% considerariam se hospedar em propriedades que incorporassem atividades de forrageamento e contato com a vida selvagem local.
A comparação com a média internacional reforça o recorte brasileiro. No release global da Booking.com, 43% dos entrevistados afirmam que viajariam para se sentir mais perto do mundo natural, contra os 47% registrados no Brasil.
É nesse ponto que o sítio de Marcello Novaes ganha uma dimensão que ultrapassa a curiosidade sobre a casa de um ator.
Horta orgânica, compostagem e uma oficina feita para usar
A relação de Marcello Novaes com a natureza também aparece na maneira como ele utiliza a propriedade.
Na horta, o ator pratica agricultura orgânica e afirma não aplicar produtos químicos no solo. Parte da fertilização é feita com esterco das galinhas, húmus de minhocário e material produzido em composteiras. Cascas de frutas, verduras, legumes, ovos e pó de café são reaproveitados nesse processo.
As galinhas têm outra particularidade. Novaes contou que não abate os animais e utiliza apenas os ovos.
A oficina, por sua vez, não funciona como elemento decorativo de uma residência rural. É efetivamente usada. O ator realiza trabalhos de marcenaria e assume parte da conservação da casa.
Isso torna o lugar diferente da ideia convencional de uma segunda residência concebida apenas para os fins de semana. Há uma rotina prática ligada ao terreno.
Privacidade e natureza começam a significar outra forma de privilégio
O interesse contemporâneo por lugares como esse não depende necessariamente de ostentação arquitetônica.
No sítio de Marcello Novaes, alguns dos atributos mais difíceis de reproduzir são precisamente aqueles que não podem ser simplesmente adicionados a uma casa por meio da decoração: uma nascente dentro da propriedade, distância do vizinho, vegetação, silêncio e espaço para cultivar alimentos.
É uma combinação que ajuda a explicar por que destinos, hotéis e refúgios cercados por paisagens naturais passaram a receber tanta atenção no turismo.
O relatório Tendências do Turismo 2026 aponta na mesma direção, ao registrar a procura por parques nacionais, reservas e unidades de conservação.
A Booking.com batizou uma das tendências previstas para este ano de “hobbies silenciosos” e resumiu o movimento com uma expressão direta: o silêncio valerá ouro em 2026. A frase acompanha os dados sobre brasileiros dispostos a viajar para se aproximar da natureza.
No caso de Marcello Novaes, esse silêncio já estava lá.
Marcello Novaes e uma escolha feita décadas antes de virar tendência
Existe uma ironia interessante na repercussão que o sítio voltou a ganhar em 2026.
Enquanto estudos tentam compreender por que viajantes estão procurando experiências mais afastadas, silenciosas e próximas da natureza, Marcello Novaes retorna a um lugar que frequenta desde os 14 anos.
A propriedade em Teresópolis não surgiu como resposta a uma tendência contemporânea. É parte de uma história familiar que atravessou a adolescência do ator, a criação dos filhos e diferentes fases de sua carreira.
Mas a distância de aproximadamente 800 metros até a casa mais próxima, a nascente que brota no terreno, a horta, a oficina e os períodos de vida longe da cidade fazem o lugar parecer particularmente atual em 2026.
Talvez seja justamente isso que explique por que um sítio conhecido há anos voltou a despertar tanta curiosidade agora.
Não mudou apenas o lugar que estamos olhando.
Mudou também aquilo que começamos a desejar encontrar nele.
Fotos: reprodução/Instagram @marcellonovaesreal