Mareterra Mônaco transformou uma área antes ocupada pelo mar em um distrito com residências, parque, promenade, pequeno porto e espaços comerciais. No mercado secundário, uma unidade do Le Renzo chegou a ser oferecida por cerca de US$ 73 milhões.
Mareterra Mônaco acrescentou seis hectares ao território do Principado sobre o Mediterrâneo, criando uma plataforma urbana em um mercado imobiliário no qual unidades de revenda passaram a ser ofertadas por cifras de dezenas de milhões de dólares. O distrito foi oficialmente inaugurado em 4 de dezembro de 2024 pelo príncipe Albert II e pela família principesca, de acordo com o site oficial de Mareterra.
O empreendimento não corresponde apenas a um conjunto de edifícios construídos à beira-mar. Ele é uma extensão física do território monegasco, formada dentro de uma estrutura marítima e preenchida com 750 mil toneladas de areia de pedreira. O material foi depositado e distribuído durante dois meses pelos seis hectares da nova superfície, de acordo com a documentação do projeto.
Como Mareterra Mônaco criou seis hectares sobre o Mediterrâneo
A cronologia começou antes da formação visível do terreno. O anúncio da extensão ocorreu no primeiro trimestre de 2013, seguido pela assinatura do tratado que autorizou a ampliação marítima em julho de 2015. A fase preparatória começou em agosto de 2016, com medidas voltadas à proteção de espécies animais e vegetais, de acordo com a linha do tempo oficial de Mareterra.
Os trabalhos marítimos tiveram início em abril de 2017 com a dragagem de sedimentos contaminados e a retirada de enrocamentos. O lançamento do aterro começou no primeiro trimestre de 2018, e o primeiro caixão da infraestrutura marítima foi inaugurado pelo príncipe Albert II em julho daquele ano. A estrutura de contenção foi concluída em dezembro de 2019, de acordo com o cronograma institucional.
Com o cinturão de caixões fechado, formou-se uma bacia de água salgada. O preenchimento com areia de pedreira consolidou a área de seis hectares, que depois recebeu preparação de solo e as fundações das construções. A obra urbana avançou a partir de 2020, enquanto Le Renzo começou a ganhar forma em dezembro daquele ano, de acordo com o registro oficial do projeto.
As etapas seguintes incluíram estruturas de concreto, plantios e acabamento dos espaços públicos. A operação se aproximou da conclusão em julho de 2024 e foi entregue em 4 de dezembro. Essa data marca a passagem de uma obra de engenharia marítima para um distrito integrado ao Principado, de acordo com a cronologia de Mareterra.
Le Renzo ocupa a extremidade oeste do novo território
Le Renzo foi concebido pelo Renzo Piano Building Workshop e ocupa a extremidade oeste de Mareterra. A composição do edifício toma a forma de uma embarcação fragmentada e se organiza acima de um pequeno porto e de uma praça comercial, de acordo com a apresentação oficial das residências.
O conjunto residencial também inclui Les Jardins d’Eau, villas e townhouses. Les Jardins d’Eau reúne apartamentos com varandas e áreas de uso comum; as villas ocupam trechos do litoral; e as townhouses incorporam pátios internos e cobertura vegetal. As tipologias são distribuídas em edifícios que aumentam de escala de leste para oeste, de acordo com o plano residencial oficial.
O novo território entrou no mercado de revenda
A dimensão financeira do projeto tornou-se mais visível depois da entrega. Mareterra possui cerca de 130 apartamentos e villas, todos vendidos antes da conclusão do distrito, de acordo com uma investigação publicada pela Forbes em 30 de agosto de 2026. A comercialização inicial ocorreu, portanto, durante o desenvolvimento da extensão marítima.
Parte dessas propriedades começou posteriormente a chegar ao mercado secundário. A Forbes identificou unidades oferecidas por aproximadamente US$ 12.900 por pé quadrado. A cifra representa preços pedidos em anúncios de revenda analisados pela reportagem e não uma tabela oficial nem uma média de todas as residências de Mareterra, de acordo com a Forbes.
Um dos exemplos é um apartamento de aproximadamente 5.650 pés quadrados no Le Renzo, anunciado por cerca de US$ 73 milhões. A relação entre preço e área ficava próxima de US$ 12.990 por pé quadrado na apresentação dos corretores consultados. Os números correspondem a uma oferta no mercado secundário, não a uma transação concluída, de acordo com a reportagem.
A residência de cerca de US$ 550 milhões foi negociada em 2021
O maior valor relacionado ao distrito antecede sua inauguração. O bilionário ucraniano Rinat Akhmetov adquiriu em 2021 uma residência de cinco pavimentos e 21 cômodos no topo do Le Renzo por aproximadamente US$ 550 milhões, de acordo com a Forbes, que retomou informações inicialmente reveladas pela Bloomberg.
A cronologia evita uma interpretação equivocada: o imóvel não foi vendido em 2026. A negociação ocorreu durante a construção de Mareterra, três anos antes da entrega oficial do distrito. A Forbes afirmou que a transação superou os recordes residenciais anteriores considerados em sua comparação, de acordo com a apuração publicada em agosto de 2026.
Mareterra tornou-se um novo distrito de Mônaco
A área criada sobre o mar não é inteiramente residencial. Mareterra reúne parque arborizado, promenade costeira, pequeno porto, estacionamento subterrâneo, lojas e espaços culturais e recreativos. O distrito foi planejado como uma conexão junto à costa entre Port Hercule e a praia de Larvotto, de acordo com a descrição oficial do espaço urbano.
O Le Petit Portier tem cerca de 15 vagas para embarcações e é cercado por uma praça com comércio e restaurantes. A promenade acompanha a linha d’água entre o novo porto e o Grimaldi Forum, criando acesso público a uma parte relevante da frente marítima, de acordo com o site de Mareterra.
Dos seis hectares formados no Mediterrâneo, aproximadamente um hectare foi destinado a um parque arborizado. O projeto registra ainda 27 mil metros quadrados de áreas plantadas, 19 mil metros quadrados de zonas para pedestres e 600 metros de ciclovia, de acordo com as páginas oficiais de biodiversidade e de dados do distrito.
Seis hectares entre engenharia, espaço público e imóveis
A escala física organiza a história de Mareterra: 750 mil toneladas de areia de pedreira foram distribuídas dentro da infraestrutura marítima para formar seis hectares de superfície. Sobre essa base surgiram Le Renzo, Les Jardins d’Eau, villas, townhouses, um porto, comércio, parque e promenade, de acordo com a documentação de engenharia e de ocupação urbana do projeto.
Poucos anos separaram a criação do terreno das cifras registradas no mercado imobiliário. A residência de aproximadamente US$ 550 milhões foi negociada em 2021, durante a obra; o distrito foi inaugurado em 2024; e unidades de revenda foram identificadas em 2026 por valores próximos de US$ 12.900 por pé quadrado, de acordo com a Forbes.
O resultado concreto é uma nova porção do território de Mônaco que combina arquitetura do Renzo Piano Building Workshop, acesso público ao litoral, infraestrutura portuária e residências avaliadas em cifras raras mesmo no Principado. Tudo isso ocupa os mesmos seis hectares que, no início da cronologia, ainda faziam parte do Mediterrâneo, de acordo com o registro oficial de Mareterra.