Primeira edição da feira no Golfo sucede a Abu Dhabi Art após 17 anos e amplia o recorte para incluir antiguidades, mapas, livros raros, arte moderna e produção contemporânea.

O número chama atenção primeiro: 84 galerias de 64 cidades e 37 países e regiões. Mas é a distância histórica entre os objetos reunidos que define melhor a estreia da Frieze Abu Dhabi. A feira começa na Antiguidade, passa por manuscritos, mapas e livros raros, atravessa o século 20 e chega à arte contemporânea.

A primeira edição será realizada de 19 a 22 de novembro de 2026 no Manarat Al Saadiyat, no Saadiyat Cultural District. A programação reúne nomes internacionais como Gagosian, Pace Gallery, Perrotin, Thaddaeus Ropac e Victoria Miro, ao lado de galerias dos Emirados Árabes Unidos, do Norte da África, da Ásia Ocidental e do Sul da Ásia, de acordo com a Frieze.

A estreia não representa apenas a inclusão de uma nova cidade no calendário da marca. A Frieze Abu Dhabi sucede a Abu Dhabi Art, feira realizada durante 17 anos e responsável por formar uma rede regional de galerias, artistas, colecionadores e instituições. A direção continua com Dyala Nusseibeh, e o Department of Culture and Tourism Abu Dhabi permanece como parceiro institucional.

Frieze Abu Dhabi sucede uma feira realizada durante 17 anos

A Abu Dhabi Art construiu sua trajetória a partir de 2009 e encerrou seu ciclo sob esse nome depois de 17 edições. A Frieze chega, portanto, a uma estrutura existente, com público, participantes e relações institucionais já estabelecidos. A própria organização afirma que a nova feira foi criada sobre esse legado, de acordo com a página oficial About Frieze Abu Dhabi.

A continuidade aparece também na escolha da direção. Dyala Nusseibeh, que comandava a Abu Dhabi Art, permanece à frente do evento. A comissão de seleção reúne Yasmin Atassi, da Green Art Gallery; Asmaa Al Shabibi, da Lawrie Shabibi; Amrita Jhaveri, da Jhaveri Contemporary; Sandhini Poddar, curadora adjunta do projeto Guggenheim Abu Dhabi; e Glenn Scott Wright, da Victoria Miro.

O local tampouco muda. O Manarat Al Saadiyat volta a receber a feira dentro do principal distrito cultural da capital dos Emirados Árabes Unidos, próximo ao Louvre Abu Dhabi e ao Zayed National Museum. A permanência no complexo preserva um endereço já associado ao calendário artístico local.

84 galerias chegam de 64 cidades

A seção principal, chamada Galleries, reúne acima de 60 participantes de 56 cidades e 32 países. Seu recorte começa em meados do século 20 e alcança a produção atual. É nessa área que estão algumas das galerias de maior projeção internacional confirmadas para novembro.

Gagosian e Pace Gallery chegam de Nova York. Londres aparece com Thaddaeus Ropac, Richard Saltoun Gallery, Timothy Taylor, Victoria Miro, Vigo Gallery, Voena e Waddington Custot. A França é representada por Perrotin, galerie frank elbaz e In Situ Fabienne Leclerc. Da Itália participam Galleria Continua, Galleria Franco Noero, P420 e Vistamare, de acordo com a lista anunciada pela organização.

O alcance geográfico prossegue com Johyun Gallery, de Busan; Pearl Lam Projects, de Xangai; Gajah Gallery, de Singapura; Hanart TZ Gallery, de Hong Kong; Proyectos Ultravioleta, da Cidade da Guatemala; e kó, de Lagos. Em vez de concentrar a seleção apenas nos centros tradicionais da Europa e dos Estados Unidos, a lista distribui participantes por diferentes circuitos comerciais.

Galerias da região formam a base da seleção

O núcleo dos Emirados Árabes Unidos inclui Carbon 12, Lawrie Shabibi, The Third Line, Tabari Artspace, Iris Projects e Aisha Alabbar Gallery. A presença desses espaços mantém na nova feira parte da rede que sustentou a Abu Dhabi Art.

Outras áreas da Ásia Ocidental aparecem por meio de Saleh Barakat Gallery e Galerie Tanit, do Líbano; Athr e Hafez Gallery, da Arábia Saudita; Dastan, de Teerã; e Galerist e BüroSarıgedik, de Istambul. O Norte da África reúne A.Gorgi Gallery, Elmarsa Gallery, Selma Feriani, Le Violon Bleu Gallery, Gypsum, ArtTalks Kanafani Gallery e Loft Art Gallery.

O Sul da Ásia terá Experimenter, Galerie Isa, Jhaveri Contemporary, Nature Morte e Project 88. Esse conjunto ocupa posição central na proposta da feira para a região WANASA, sigla usada pela Frieze para Ásia Ocidental, Norte da África e Sul da Ásia. O diretório oficial de galerias permite consultar os participantes por cidade e por seção.

A feira começa na Antiguidade

A Frieze Masters Abu Dhabi muda a escala temporal do evento. Sob curadoria de Marika Sardar, a seção apresentará objetos e artefatos produzidos da Antiguidade ao início do século 20. O eixo escolhido para a primeira edição é o Oceano Índico e a circulação de pessoas, mercadorias, técnicas e ideias por suas rotas históricas.

A curadoria considera as ligações entre portos da Península Arábica, do Sul da Ásia, da África Oriental e de outros territórios conectados pelo oceano. Em entrevista à própria Frieze, Sardar explicou que pinturas, cerâmicas, mapas e relatos de viagem permitem observar como artistas absorveram técnicas e repertórios encontrados por meio do comércio e do deslocamento, de acordo com a conversa publicada pela feira.

O ponto de partida em Abu Dhabi oferece um recorte particular. Segundo Sardar, estudos sobre o Oceano Índico frequentemente privilegiaram mercados europeus e estruturas coloniais, deixando em segundo plano redes asiáticas anteriores e duradouras. A seção recupera essas conexões por meio dos objetos colocados à venda.

Oito especialistas levam livros, mapas e manuscritos

A Frieze Masters Abu Dhabi terá oito participantes dedicados a livros raros, manuscritos, mapas e antiguidades. Estão confirmados ArtAncient, David Aaron, Daniel Crouch Rare Books, Peter Finer, Eqtna Rare Books, Peter Harrington, Antiquariaat Forum e Inlibris Rare Books & Manuscripts.

A lista inclui desde negociantes londrinos especializados em cartografia e livros históricos até a Eqtna Rare Books, de Sharjah, e a Inlibris Rare Books & Manuscripts, de Viena. A presença desses expositores desloca parte da experiência para materiais que normalmente circulam em feiras especializadas, leilões e coleções bibliográficas.

Mapas e relatos de viagem têm função especialmente relevante no tema do Oceano Índico. Produzidos antes das tecnologias contemporâneas de localização, registram tanto o conhecimento geográfico de seu tempo quanto a maneira pela qual viajantes, comerciantes e cartógrafos imaginavam territórios distantes.

Global Futures aproxima seis trajetórias

A seção Global Futures será formada por apresentações individuais selecionadas pela curadora e escritora Tarini Malik. O programa reúne artistas de gerações e contextos distintos cujas obras abordam histórias, materiais e experiências relacionados aos Emirados Árabes Unidos e a outros territórios da região.

Entre os projetos anunciados estão Ala Younis, com a Taymour Grahne Projects; Abdullah Al Saadi, com a Aisha Alabbar Gallery; Tania Candiani, com a Vermelho; Mohammed Joha, com a Zawyeh Gallery; Arshi Irshad Ahmadzai, com a Chatterjee & Lal; e Seta Manoukian, com a Marfa’, de acordo com o programa oficial.

Mohammed Joha participa também da Bienal de Veneza de 2026. Seta Manoukian, por sua vez, integrou a cena artística de Beirute no fim da década de 1960. A escolha de exposições individuais permite apresentar cada trajetória com um conjunto mais concentrado de obras.

Focus oferece bolsas às galerias jovens

A área Focus será dedicada a galerias jovens com projetos individuais ou duplos. Todas as participantes receberão bolsas da Frieze para reduzir os custos de presença na feira, mecanismo já utilizado pela organização em outras cidades.

A Management apresentará trabalhos têxteis e instalações de Tahir Karmali sobre migração e sistemas de exploração. A Solo levará três esculturas automatizadas de Thuy Tien Nguyen relacionadas ao mobiliário do Palácio da Independência da antiga República do Vietnã. Também estão previstos projetos de Chonon Bensho, Marigold Santos, Jawad Al Malhi e Dala Nasser.

Abertura ao público começa em 20 de novembro

O primeiro dia da Frieze Abu Dhabi, 19 de novembro, será reservado a convidados. A feira abre ao público de 20 a 22 de novembro, sempre das 14h às 21h, de acordo com as informações para visitantes.

Ao distribuir a programação entre arte contemporânea, obras do século 20, antiguidades, mapas, livros e manuscritos, a estreia assume um formato que atravessa diferentes mercados e períodos históricos. A edição de novembro será o primeiro teste dessa nova configuração construída sobre os 17 anos da Abu Dhabi Art.