A St. Jakobshalle, em Basileia, recebeu em 27 de outubro de 2026 uma partida cujo resultado ficou em segundo plano. Diante de 9.200 espectadores, Stan Wawrinka disputou seu último jogo como tenista profissional. O suíço de 41 anos perdeu para Jiri Lehecka por 7/5 e 7/6 (7-2), mas saiu do Center Court acompanhado de uma longa ovação e de coros de agradecimento.
O local tinha um significado particular. Era sua 19ª participação no Swiss Indoors Basel, competição na qual fez parte da história do tênis suíço por mais de duas décadas. E, embora nunca tenha conquistado o título do torneio, Wawrinka transformou a despedida diante de seu público em uma última demonstração da personalidade competitiva que o levou a vencer três Grand Slams.
Como foi o último jogo de Stan Wawrinka?
A organização do torneio havia preparado a homenagem desde a véspera, mas a partida contra o tcheco Jiri Lehecka ainda exigia tênis de alto nível. O oitavo cabeça de chave venceu o primeiro set por 7/5 e fechou o segundo em um tie-break por 7 a 2.
O Swiss Indoors descreveu uma plateia que se levantou já na entrada do jogador e voltou a fazê-lo ao longo da noite. Quando o suíço armava sua tradicional esquerda de uma mão, especialmente ao acelerar a bola paralela à linha, a arquibancada reagia. O gesto técnico era conhecido, mas ganhou outro significado naquela ocasião: o público sabia que estava assistindo a seus últimos movimentos em uma partida profissional.
No segundo set, com o placar em 5 a 4, Wawrinka esteve a dois pontos de forçar uma terceira parcial. Lehecka resistiu e levou a decisão ao desempate. De acordo com o registro oficial do torneio, a carreira chegou ao fim às 23h01, horário local, depois de 985 partidas no circuito ATP. O número é apresentado pela organização como total de partidas, não de vitórias.
Ao deixar a quadra, Wawrinka cumprimentou os boleiros. A despedida ganhou uma última ovação de pé e o grito repetido de “Merci, Stan”. Para uma noite construída em torno de resultados, talvez o dado mais expressivo tenha sido justamente a relação estabelecida entre arquibancada e jogador.
A homenagem começou antes da última partida
Na segunda-feira, 26 de outubro, o Swiss Indoors Basel dedicou mais de uma hora de sua programação à trajetória de Wawrinka. Familiares acompanharam o tributo, que teve um retrato produzido ao vivo e uma apresentação musical de Bastian Baker. O torneio antecipou a celebração para permitir que o suíço recebesse o reconhecimento do público independentemente do que aconteceria na estreia de terça-feira.
A escolha da cidade não foi casual. Nascido em Lausanne, Wawrinka teve em Basileia uma presença recorrente. Em 2006 e 2011, alcançou as semifinais do torneio. Voltou para outras campanhas e também para derrotas, como acontece a uma carreira longa, sem que isso diminuísse o vínculo com os espectadores suíços.
A cerimônia de outubro encerrou uma temporada de despedidas que já havia passado por Gstaad, onde Wawrinka fez sua estreia em nível ATP em 2003. Em julho de 2026, o torneio de Gstaad também lhe prestou homenagem, registrando o retorno ao lugar onde, em 2005, havia disputado sua primeira final no circuito.
Três Grand Slams em três temporadas diferentes
Os títulos mais relevantes do suíço foram conquistados em três dos quatro torneios de Grand Slam. O primeiro veio no Australian Open de 2014, em Melbourne. Em 2015, venceu Roland-Garros, em Paris. No ano seguinte, conquistou o US Open de 2016, em Nova York.
A sequência estabeleceu um capítulo especialmente reconhecível de sua carreira. Wawrinka se destacou por uma esquerda de uma mão capaz de produzir aceleração e profundidade em trocas de bola, recurso frequentemente associado às maiores vitórias de sua trajetória. O torneio de Basileia reservou espaço especial a esse golpe em sua reportagem oficial sobre a despedida.
Segundo o histórico publicado pela ATP quando anunciou sua última temporada, Wawrinka acumulou 16 títulos em nível ATP e chegou à terceira posição do ranking mundial. Ele comunicou em dezembro de 2025 que 2026 seria o último ano de sua carreira, definindo a temporada como um capítulo final, não como uma aposentadoria anunciada de surpresa depois de uma derrota.
Sua longevidade também aparece na distância entre marcos: a estreia no circuito em Gstaad, em 2003, antecedeu em 23 anos a última partida de Basileia. Foram períodos de crescimento, títulos e retorno às quadras, preservando um estilo que a plateia identificava imediatamente.
Por que Basileia era o cenário adequado para o adeus
O Swiss Indoors é um torneio da categoria ATP 500 realizado na St. Jakobshalle, em Basileia, na Suíça. A edição de 2026 começou em 24 de outubro e está programada para terminar em 1º de novembro. Sua importância para a carreira de Wawrinka vai além de troféus: ali ele disputou 19 edições, alcançou duas semifinais e manteve uma relação particularmente longa com o público nacional.
A programação ainda reuniu alguns dos principais nomes do circuito. Ben Shelton, cabeça de chave número um, também estreou em 27 de outubro, no mesmo Center Court, antes da partida de Wawrinka. O norte-americano venceu Aleksandar Kovacevic em uma disputa de três tie-breaks, com 44 aces. São histórias diferentes de um mesmo dia de tênis: uma tratou da explosão do saque, a outra do encerramento de uma carreira.
Não é necessário atribuir a Wawrinka um título em Basileia para reconhecer a importância dessa despedida. O registro oficial apresenta um cenário mais interessante e fiel: um tricampeão de Grand Slam voltou pela 19ª vez a um torneio que nunca venceu e encontrou ali a plateia de sua última partida. Quando os espectadores se levantaram mais uma vez, já não havia resultado a ser revertido.