São Paulo recebe um dos conjuntos mais extensos da obra de Joan Miró apresentados recentemente no país. Em cartaz no Museu de Arte Brasileira da FAAP, o MAB FAAP, “Miró: Mestre das Formas” reúne 140 obras originais, entre pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias e fotografias, em um percurso dedicado a diferentes períodos e linguagens do artista catalão.

Dezenas das peças são apresentadas pela primeira vez no Brasil. Segundo a organização, o conjunto inclui ainda trabalhos que nunca haviam sido exibidos no Hemisfério Sul, além de obras provenientes de importantes instituições e coleções europeias.

A exposição abriu ao público em 7 de agosto e segue até 12 de outubro de 2026, ocupando aproximadamente 1.200 metros quadrados do museu, em Higienópolis.

Mont-roig III, 1974, de Joan Miró, uma das obras da exposição no MAB FAAP
© Successió Miró / AUTVIS, Brasil, 2026 / Divulgação

Um percurso por diferentes momentos de Miró

Com curadoria do espanhol Jordi J. Clavero, “Miró: Mestre das Formas” está organizada em cinco núcleos temáticos. O percurso acompanha transformações da produção do artista e evidencia a variedade de técnicas que passou a integrar ao trabalho ao longo de sua trajetória.

Miró construiu uma das linguagens visuais mais reconhecíveis da arte do século XX. Cores primárias, linhas negras, estrelas, pássaros, figuras humanas e formas abstratas aparecem repetidamente em sua produção, formando um vocabulário que atravessa pintura, gravura, escultura, cerâmica e trabalhos têxteis, dentro de movimentos que marcaram a arte moderna.

Nascido em Barcelona em 1893, o artista manteve diálogo próximo com as vanguardas europeias e especialmente com o surrealismo, embora sua produção não possa ser reduzida a um único movimento. A experimentação com materiais e suportes tornou-se progressivamente mais ampla, sobretudo a partir do final dos anos 1920.

Essa diversidade é um dos pontos centrais da exposição em São Paulo.

Obras que raramente chegam ao Brasil

Parte importante do interesse da mostra está na procedência do acervo.

Entre os principais emprestadores estão a Fundació Joan Miró, de Barcelona, a Fundació Miró Mallorca, instituições de Mallorca e coleções particulares europeias. A seleção também incorpora objetos ligados à família do artista e peças que ainda não haviam sido reunidas desta forma para o público brasileiro.

A página oficial da exposição informa que a seleção foi organizada em colaboração com a Fundació Joan Miró e contém trabalhos apresentados pela primeira vez no Brasil.

Entre as obras destacadas está “Mulher e cachorro diante da Lua”, de 1935, pertencente à Fundació Joan Miró, em Barcelona. Produzida em pochoir, técnica na qual as cores são aplicadas manualmente por meio de moldes vazados, a peça apresenta elementos que se tornariam característicos do repertório visual do artista.

Obra de Joan Miró do acervo da Fundació Joan Miró, em Barcelona
© Successió Miró / AUTVIS, Brasil, 2026 / Divulgação

Pintura é apenas uma parte da história

A dimensão da produção de Miró aparece com maior clareza quando suas obras são observadas para além das telas, revelando a relação entre matéria e forma.

O artista explorou gravura, litografia, escultura, cerâmica e tapeçaria e estabeleceu colaborações com artesãos durante diferentes fases da carreira. A exposição paulistana procura mostrar justamente essa amplitude, reunindo trabalhos produzidos em técnicas e escalas distintas.

No conjunto apresentado pelo MAB FAAP há inclusive trabalhos de grande porte, além de fotografias, documentos e conteúdos relacionados ao processo criativo do artista.

O resultado permite acompanhar uma produção construída durante mais de seis décadas, período no qual Miró desenvolveu e transformou continuamente seu próprio repertório de signos e formas.

Miró e a transformação da arte moderna

A relação de Miró com o surrealismo tornou-se especialmente próxima durante os anos 1920, quando viveu parte do tempo em Paris e frequentou o ambiente artístico e literário da cidade.

André Breton, figura central do movimento surrealista, reconheceu a relevância de sua produção e adquiriu “O Caçador (Paisagem Catalã)”, obra realizada entre 1923 e 1925. Ao mesmo tempo, Miró manteve uma linguagem própria, cada vez mais baseada na simplificação das figuras e na criação de símbolos recorrentes.

Nas décadas seguintes, a expansão para outros materiais tornou essa linguagem ainda mais ampla.

Esculturas, objetos, cerâmicas e grandes composições passaram a dividir espaço com pinturas e trabalhos sobre papel, tornando difícil enquadrar sua produção dentro de uma única técnica ou escola artística.

Essa liberdade formal ajuda a explicar a permanência da obra de Miró no circuito internacional de museus e exposições décadas após sua morte, em 1983.

Espaço expositivo do MAB FAAP durante a mostra Miró: Mestre das Formas
Foto: Divulgação/FAAP

São Paulo recebe a mostra até outubro

Realizada pelo Instituto Totex em parceria com a FAAP e o MAB FAAP, a exposição integra a programação de 2026 do Museu de Arte Brasileira e soma-se a grandes mostras internacionais de arte e design que passaram pelo país.

O MAB foi inaugurado em 1961 e mantém atualmente um acervo com mais de 3.500 trabalhos nas áreas de pintura, escultura, fotografia e audiovisual.

“Miró: Mestre das Formas” permanece aberta de terça-feira a domingo, das 9h às 20h, com última entrada às 19h. A visita média estimada pela organização é de aproximadamente uma hora.

A mostra também funcionará nos feriados de 7 de setembro e 12 de outubro, ampliando as chances de quem acompanha outras exposições em cartaz em São Paulo.

Serviço

Miró: Mestre das Formas
Local: MAB FAAP, Museu de Arte Brasileira
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Período: 7 de agosto a 12 de outubro de 2026
Horário: terça-feira a domingo, das 9h às 20h, com última entrada às 19h
Classificação: livre
Ingressos: comercializados com horário marcado pela plataforma oficial da exposição.