O mercado britânico de automóveis de alto padrão reuniu, no mesmo verão europeu, três acontecimentos que traduzem o momento do setor de luxo sobre rodas: um clássico eletrificado com acabamento artesanal, o carro de pista mais rápido já colocado em produção e um capacete de corrida que confirmou o apetite dos colecionadores por memorabilia de Fórmula 1. O panorama foi reunido pela revista Country Life, que destacou a Lunaz, a McMurtry e o leilão da casa Budds.

Range Rover Classic eletrificado pela Lunaz, na cor azul, em frente ao Hotel Café Royal em Londres
Foto: divulgação

Lunaz eletrifica o Range Rover Classic

A protagonista dessa temporada é a especialista britânica Lunaz, conhecida por converter clássicos de luxo em veículos elétricos silenciosos. Segundo a Country Life, a empresa já eletrificou modelos como Rolls-Royce Phantom V, Bentley, Aston Martin e Jaguar, sempre partindo de carros de herança e com foco em requinte. Agora, a marca apresentou o Range Rover Classic by Lunaz, uma das estrelas do Goodwood Festival of Speed.

Cada exemplar é construído à mão ao longo de aproximadamente 3.000 horas de trabalho, preservando o desenho de interior fiel à época, com dois mostradores analógicos, interruptores e superfícies táteis, além de uma tela que pode ser recolhida de forma discreta para manter o visual original. Entre os itens de conforto, a Country Life cita ar-condicionado automático, suspensão moderna, barra estabilizadora e bancos aquecidos.

A Lunaz planeja 12 unidades do Range Rover Classic, e o primeiro carro já foi entregue a um cliente nos Estados Unidos. A marca também oferecerá uma versão com motor V8 ao lado da elétrica, o que afasta o projeto do rótulo de mera novidade. Com diferentes carros doadores, o modelo pode ser configurado nas carrocerias de duas portas, quatro portas, entre-eixos longo e conversível, com preços a partir de 450 mil libras, conforme a publicação. Mais informações sobre a fabricante estão em seu site oficial, a Lunaz.

McMurtry Spéirling PURE, o carro de pista mais rápido do mundo

McMurtry Speirling PURE elétrico verde visto de frente em três quartos
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O segundo destaque vem de Gloucestershire, na Inglaterra, onde a McMurtry Automotive revelou a forma de produção do Spéirling PURE, o hyper track car elétrico monoposto que a Country Life descreve como o carro de produção mais rápido do mundo. A fabricante detalha em seu comunicado oficial que o modelo entrega desempenho de nível Fórmula 1 acessível a qualquer piloto, com forte ênfase em uma experiência de uso simplificada.

O grande trunfo é o sistema patenteado de Downforce-on-Demand, que usa dois ventiladores girando a até 23 mil rotações por minuto para sugar o ar sob o assoalho e gerar até 2.000 kg de força descendente já a 0 km/h, o que permitiu ao protótipo, segundo a McMurtry, tornar-se o primeiro carro a rodar de cabeça para baixo. A tração vem de motores elétricos de 1.000 cv nas rodas traseiras, alimentados por uma bateria de íon-lítio de 100 kWh com células Molicel.

Traseira do McMurtry Speirling PURE mostrando as saídas dos ventiladores e o aerofólio
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Os números de desempenho impressionam: 0 a 96 km/h em 1,55 segundo, velocidade máxima de 306 km/h e capacidade de gerar 3 g nas curvas e 3 g nas frenagens, de acordo com os dados divulgados pela fabricante. O protótipo já havia batido recordes na subida do Goodwood Festival of Speed, em 2022, e no circuito de testes do programa Top Gear, em 2025.

Interior do McMurtry Speirling PURE com banco moldado sob medida e volante estilo competição
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A versão de produção reúne 95% de componentes novos em relação aos protótipos, com nova carroceria em fibra de carbono, banco moldado individualmente para cada proprietário em processo semelhante ao de protótipos de Le Mans e volante de competição com pás dedicadas ao acionamento dos ventiladores. Serão 100 unidades, a um preço de 995 mil libras antes de impostos, frete e opcionais, com as primeiras entregas previstas para o fim de 2026, informou a McMurtry. O modelo será apresentado ao público durante a Monterey Car Week, nos Estados Unidos.

Capacete de Ayrton Senna alcança 500 mil libras em leilão

Capacete amarelo de Ayrton Senna usado na temporada de 1992, leiloado pela Budds
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O terceiro capítulo pertence à memória do automobilismo. Em 7 de julho, a casa de leilões Budds arrematou por 500 mil libras um capacete de corrida usado por Ayrton Senna, valor bem acima da estimativa inicial de 80 mil a 120 mil libras, conforme a Country Life. A peça foi vendida no leilão Motorsport Icons, realizado no Silverstone Museum.

De acordo com a ficha do lote publicada pela Budds, trata-se de um capacete Shoei usado pelo tricampeão mundial durante os Grandes Prêmios da Grã-Bretanha, da Alemanha e da Hungria na temporada de 1992, a última do brasileiro na parceria Honda-McLaren. Foi na etapa húngara daquele ano que Senna conquistou uma de suas vitórias.

Detalhe do capacete Shoei de Ayrton Senna com marcas de uso em pista
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A casa de leilões informa que o capacete apresenta sinais evidentes de uso em pista, incluindo marcas de pedras, e mantém a etiqueta original de identificação de produção com a inscrição de março de 1992, além do selo Snell SA90 com número de série. O lote acompanha um certificado de autenticidade oficial da McLaren. Segundo Andrew Moyers, responsável pelo departamento de automobilismo da Budds, poucos pilotos são tão reconhecíveis quanto Senna, definido por ele como uma lenda do esporte cuja influência ainda molda a Fórmula 1.

Reunidos, os três episódios mostram um mercado de luxo automotivo britânico que valoriza ao mesmo tempo a engenharia de ponta, o artesanato de reinvenção de clássicos e a relíquia histórica, com colecionadores dispostos a pagar cifras expressivas por objetos que carregam legado e raridade.