Há museus cuja importância começa no acervo. No Kunsthistorisches Museum, em Viena, ela começa antes mesmo da primeira galeria.
Erguido entre 1871 e 1891 na monumental Ringstrasse, o edifício foi projetado por Gottfried Semper e Carl von Hasenauer para receber as coleções de arte reunidas pelos Habsburgos ao longo de séculos.
Sua inauguração, em 1891, colocou sob um mesmo teto pinturas, antiguidades, objetos preciosos e outras coleções imperiais que até então estavam distribuídas por diferentes espaços.
Mais de um século depois, o Kunsthistorisches Museum continua sendo uma das grandes referências para quem deseja compreender não apenas diferentes períodos da história da arte europeia, mas também a dimensão cultural da Viena imperial.
A maior coleção de pinturas de Bruegel do mundo
Um dos motivos que tornam o Kunsthistorisches Museum particularmente relevante está em sua relação com Pieter Bruegel, o Velho.
O museu preserva a maior coleção de pinturas do artista no mundo. Doze obras de Bruegel integram a apresentação da galeria, formando um conjunto excepcional para compreender sua produção.
Entre elas está A Torre de Babel, de 1563, uma de suas composições mais reconhecidas.
A escala monumental da construção imaginada por Bruegel contrasta com as pequenas figuras humanas e com a cidade que se desenvolve ao redor da torre. A obra se tornou uma das representações mais célebres do episódio bíblico e hoje ocupa lugar central entre os destaques do museu.
Também fazem parte do conjunto obras como Caçadores na Neve e O Casamento Camponês, permitindo observar diferentes aspectos da maneira como Bruegel registrava paisagens, cenas coletivas e a vida de seu tempo.
Para quem procura Bruegel em Viena, o Kunsthistorisches Museum é, portanto, um endereço fundamental.
De Vermeer a Velázquez
Bruegel está longe de ser o único motivo para percorrer as galerias.
A coleção de pintura foi formada durante séculos pelos Habsburgos e reúne alguns dos principais nomes da arte europeia entre os séculos XV e XVIII.
Entre os destaques está A Arte da Pintura, de Johannes Vermeer, além dos retratos da família real espanhola realizados por Diego Velázquez.
O percurso inclui ainda obras de artistas como Peter Paul Rubens, Rembrandt, Albrecht Dürer, Ticiano, Rafael, Tintoretto e Caravaggio.
Mais do que uma sequência de grandes nomes, as salas ajudam a compreender como diferentes centros artísticos europeus se desenvolveram e como a própria atividade colecionadora da corte dos Habsburgos contribuiu para formar o acervo que chegou aos dias atuais.
Gustav Klimt está onde muitos visitantes esquecem de olhar
Há, porém, um detalhe que pode passar despercebido por quem caminha diretamente em direção às galerias.
É preciso olhar para cima.
Na escadaria principal do Kunsthistorisches Museum estão trabalhos realizados no final do século XIX por Gustav Klimt, Ernst Klimt e Franz Matsch.
As pinturas ocupam espaços entre colunas e arcos da arquitetura e representam diferentes épocas da história da arte.
São trabalhos do período inicial da trajetória de Gustav Klimt, anteriores às obras que posteriormente fariam dele uma das figuras centrais da arte vienense na passagem para o século XX.
A presença dessas pinturas transforma a própria circulação pelo museu em parte do acervo.
Em vez de funcionar apenas como cenário para as obras expostas, o edifício participa da experiência artística.
Um museu concebido como um palácio para a arte
Essa integração entre arquitetura e coleção não aconteceu por acaso.
O Kunsthistorisches Museum foi construído durante um período de intensa transformação urbana de Viena. A Ringstrasse havia se tornado o grande eixo monumental da cidade, cercado por edifícios destinados a representar suas instituições políticas, culturais e imperiais.
Semper e Hasenauer projetaram o museu em diálogo com o Naturhistorisches Museum, localizado em frente a ele, do outro lado da Maria-Theresien-Platz.
No interior, a escala continua monumental.
Escadarias, colunas, mármores, pinturas, relevos, ornamentos e uma grande cúpula fazem com que a arquitetura tenha peso semelhante ao das coleções que abriga.
A cúpula central, inclusive, abriga hoje o café do museu, em uma das áreas mais reconhecíveis do edifício.
A Kunstkammer e o universo dos colecionadores Habsburgos
Outra seção essencial do Kunsthistorisches Museum é a Kunstkammer Wien.
As chamadas câmaras de arte e curiosidades foram formadas por governantes e colecionadores europeus a partir do Renascimento como espaços destinados a reunir objetos considerados raros, preciosos, tecnicamente extraordinários ou provenientes de diferentes partes do mundo.
No KHM, esse universo aparece através de aproximadamente 2.200 objetos apresentados na Kunstkammer.
Esculturas, trabalhos em marfim, peças de ourivesaria, relógios, objetos produzidos com materiais raros e engenhos mecânicos revelam um período no qual colecionar também significava tentar construir uma representação do mundo conhecido.
Entre as peças mais célebres está a Saliera, realizada por Benvenuto Cellini no século XVI.
Executada em ouro e esmalte, a peça foi criada para Francisco I da França e mais tarde passou para as coleções dos Habsburgos. Atualmente está entre os objetos mais conhecidos da Kunstkammer.
Cinco mil anos de história em um mesmo endereço
O Kunsthistorisches Museum ultrapassa amplamente a pintura europeia.
Sua Coleção Egípcia e do Oriente Próximo reúne mais de 18 mil objetos provenientes de regiões como Egito, Núbia, Mesopotâmia e Península Arábica.
O arco cronológico alcança aproximadamente cinco mil anos.
O museu também mantém uma importante Coleção de Antiguidades Gregas e Romanas, além de seu Gabinete de Moedas e outras áreas especializadas.
Essa amplitude explica por que uma única visita dificilmente esgota o Kunsthistorisches Museum.
É possível chegar interessado em Bruegel e terminar diante de um sarcófago egípcio. Entrar procurando Vermeer e passar parte do percurso observando a arquitetura. Ou descobrir trabalhos de Gustav Klimt antes mesmo de chegar à primeira grande galeria.
Por que incluir o Kunsthistorisches Museum em um roteiro por Viena
Viena oferece uma concentração incomum de instituições ligadas à arte, à arquitetura e à história europeia.
Belvedere, Albertina, Leopold Museum, Secession, MAK e os diferentes edifícios associados ao patrimônio dos Habsburgos podem ocupar vários dias de uma viagem dedicada à cultura.
Dentro desse panorama, o Kunsthistorisches Museum ocupa uma posição particular.
Ele reúne em um único endereço a história das coleções imperiais, grandes mestres da pintura europeia, antiguidades de diferentes civilizações e uma arquitetura concebida para funcionar como parte dessa narrativa.
E há uma boa razão para reservar tempo para percorrê-lo devagar.
No Kunsthistorisches Museum, algumas das obras mais interessantes podem estar diante dos olhos. Outras, literalmente, acima deles.
SERVIÇO
Kunsthistorisches Museum Wien
Maria-Theresien-Platz, Viena, Áustria
O museu funciona regularmente de terça-feira a domingo, com horário ampliado às quintas-feiras. A programação, os horários e as condições de visita podem sofrer alterações ao longo do ano. Consulte as informações oficiais antes da visita.