Na rua que acompanha o rio Otani, em Kinosaki Onsen, pontes de pedra cruzam a água entre salgueiros e antigas hospedarias de madeira. É uma paisagem distante da imagem habitual do Japão dos arranha-céus, embora pertença à mesma prefeitura cuja capital é Kobe, uma cidade portuária conhecida internacionalmente por sua gastronomia. Mais ao sul, a arquitetura branca do Castelo de Himeji acrescenta outro capítulo a esse território.

Essa diversidade ajuda a entender por que Hyogo, no Japão, entrou entre os destinos em alta para 2027. A prefeitura ocupou o segundo lugar na seleção internacional Destinations of the Year, do relatório Unpack ’27, da Expedia, divulgado em outubro de 2026, após um aumento de 95% nas buscas por voos e hospedagem relacionadas ao destino na plataforma.

No ranking de dez localidades, somente South Lake Tahoe, na Califórnia, ficou acima de Hyogo, com crescimento de 195%. O terceiro lugar foi de Punta del Este, no Uruguai, que registrou 65% de alta e ganhou uma reportagem própria no Begold Journal.

A escolha coloca em evidência uma parte do país que reúne castelos preservados, termas, alta gastronomia, arquitetura contemporânea e duas costas marítimas. Para conhecer Hyogo, porém, é preciso pensar em uma região inteira, e não em uma única cidade.

O que significa a alta de 95% nas buscas por Hyogo

A classificação da Expedia é baseada em consultas por passagens aéreas e acomodações realizadas em seu site e aplicativo. O levantamento compara o período de 1º de setembro de 2025 a 27 de julho de 2026 com o intervalo equivalente do ano anterior.

Hyogo aparece na segunda posição da lista e foi o único destino japonês entre os dez selecionados. O órgão oficial de turismo da prefeitura destacou o reconhecimento em 15 de outubro de 2026, citando o Castelo de Himeji, Arima Onsen e a carne de Kobe entre os atrativos associados à escolha.

Tóquio, Quioto e Osaka ocupam lugar frequente nos roteiros internacionais pelo Japão. Hyogo permite organizar uma viagem com algumas dessas referências por perto e, ao mesmo tempo, explorar paisagens e tradições de outra escala. A Organização Nacional de Turismo do Japão apresenta a região como uma extensão possível de um roteiro pela área de Kansai.

De uma costa à outra: a geografia de uma prefeitura inteira

Situada na ilha de Honshu, em Kansai, Hyogo tem Kobe como capital. Ao sul, a costa se volta para o mar Interior de Seto, com portos e ilhas; ao norte, a região de Tajima alcança o mar do Japão, em uma paisagem de montanhas, rios e pequenas cidades termais. Entre esses extremos estão centros urbanos, antigas rotas comerciais e áreas rurais.

O site oficial Visit Hyogo organiza a experiência por diferentes regiões e apresenta itinerários tanto para Kobe e Himeji quanto para o litoral norte. A distância entre o porto de Kobe e as termas de Kinosaki também muda o desenho do roteiro: são paisagens da mesma prefeitura que pedem etapas diferentes de viagem.

As conexões com Osaka e Quioto ajudam a integrar a prefeitura a uma viagem maior pelo Japão, mas a variedade de áreas favorece um roteiro com mais de uma base de hospedagem. Um passeio concentrado em Himeji e Kobe tem caráter diferente de uma estadia dedicada às fontes termais do norte.

Castelo de Himeji: 83 edifícios dentro de um patrimônio mundial

O conjunto de Himeji é o ponto de partida mais reconhecível para explorar o patrimônio histórico de Hyogo. Suas paredes brancas de argamassa e os telhados sobrepostos deram origem ao apelido Castelo da Garça Branca, enquanto seu sistema de caminhos, portões e estruturas defensivas revela a função militar da construção.

A UNESCO descreve o Castelo de Himeji como um conjunto de 83 edifícios que preserva técnicas de arquitetura japonesa em madeira do início do século XVII. O complexo foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1993, com reconhecimento tanto pela qualidade arquitetônica quanto pela conservação de suas características históricas.

Dentro do conjunto, passagens estreitas, degraus íngremes, muralhas e percursos concebidos para dificultar a progressão de invasores fazem parte da experiência do castelo. Seu desenho, visto de fora como uma sucessão delicada de coberturas, revela no interior uma lógica de defesa.

Na vizinhança está o Jardim Koko-en, um conjunto de jardins japoneses construído em antigos terrenos ligados ao castelo. O roteiro oficial entre Himeji e Kobe combina o patrimônio do castelo com jardins, bairros gastronômicos e o porto, oferecendo uma referência prática de deslocamento com transporte público.

A arquitetura também muda de aparência ao longo do ano. Na primavera, a floração das cerejeiras contrasta com a alvenaria branca; no outono, o paisagismo e as árvores dos jardins ganham outra paleta. É uma visita que pode ser combinada com a cidade de Himeji antes da continuação da viagem para Kobe.

Kobe: a cidade portuária que transformou uma carne regional em nome internacional

Em Kobe, a paisagem é urbana e voltada ao mar. Meriken Park, o porto, os edifícios contemporâneos do waterfront e a região de Harborland formam uma frente marítima que contrasta com o universo de Himeji. A cidade também guarda referências à sua abertura comercial internacional, com bairros históricos e tradições gastronômicas diversas.

Entre elas, a mais conhecida é o Kobe beef. O nome, entretanto, não identifica qualquer carne servida na cidade. De acordo com o guia turístico oficial de Kobe, a denominação depende de critérios de origem e qualidade aplicados a animais da linhagem Tajima, criados em Hyogo. É por isso que a carne certificada mantém uma relação direta com o território, em vez de funcionar apenas como um prato de restaurante.

O preparo na chapa de ferro, diante dos clientes, é uma das maneiras de conhecer essa tradição. O guia regional também apresenta restaurantes e estabelecimentos ligados à história do teppanyaki. Em outra frente gastronômica, os distritos de Nada-Gogo preservam uma importante produção de saquê, com antigas cervejarias, museus e espaços de degustação. Um roteiro da prefeitura de Kobe inclui o museu da Hakutsuru e a Kobe Shushinkan, produtora do saquê Fukuju, cujas visitas guiadas exigem agendamento.

O porto ainda oferece opções de hospedagem que tornam a vista parte da experiência. No Hotel La Suite Kobe Harborland, a propriedade informa 70 quartos, todos com terraços e vista voltada para o mar. As acomodações têm área a partir de 70 m², segundo o site oficial do hotel. É um exemplo de hotelaria urbana que aproveita diretamente a relação da cidade com a água.

Arima Onsen: águas de tons dourados e prateados dentro do município de Kobe

Embora frequentemente apresentada como um destino separado, Arima Onsen fica administrativamente na cidade de Kobe, na região de Kita-ku, do outro lado das encostas do Monte Rokko em relação ao centro urbano. A paisagem de ruas estreitas e hospedarias tradicionais contrasta com os bairros portuários da capital de Hyogo.

A Organização Nacional de Turismo do Japão registra referências históricas à estância termal desde o século VIII. A região é conhecida pelas águas chamadas kinsen e ginsen, associadas às cores dourada e prateada. As primeiras ganham tonalidade amarronzada em função do ferro; as segundas são descritas pela composição diferente e aparência mais clara.

Banhos públicos e hospedarias do tipo ryokan permitem conhecer a tradição termal em ritmos distintos. Os serviços variam de estabelecimento para estabelecimento, e parte dos hotéis pode oferecer banhos privados. A conexão com o Monte Rokko acrescenta vistas panorâmicas da região de Kobe a uma estadia voltada ao descanso.

Em Arima, o interesse está na continuidade de um costume antigo dentro de uma cidade que também abriga uma economia portuária contemporânea. Em vez de exigir uma viagem a outra prefeitura, o visitante encontra duas experiências muito diferentes no mesmo município.

Kinosaki Onsen: hospedarias de madeira e um circuito tradicional de banhos

No norte de Hyogo, em Toyooka, Kinosaki Onsen tem uma escala mais íntima. As fachadas de madeira, as pontes de pedra sobre o rio Otani e os salgueiros criam uma paisagem que a própria entidade oficial de turismo de Hyogo associa à tradição do soto-yu meguri, o percurso a pé entre casas públicas de banho.

A história local remonta a aproximadamente 1.300 anos. Os hóspedes costumam circular pelas ruas em yukata, uma vestimenta leve japonesa, entre a acomodação e as fontes termais. A cidade ficou conhecida pelo circuito de sete banhos públicos. Entre eles, o Satono-yu permanece fechado para obras desde abril de 2024.

Cada casa de banho possui arquitetura e ambientação próprias, e os caminhos entre eles passam pelo canal, por pequenas lojas e por antigas pousadas. As casas públicas da localidade aceitam visitantes com tatuagens, segundo o turismo oficial, embora as regras de banhos dentro de hospedagens possam ser diferentes.

Entre os endereços históricos está o Nishimuraya Honkan, ryokan que apresenta uma trajetória de 165 anos, acomodações voltadas para jardins japoneses e uma ala com arquitetura sukiya. O estabelecimento informa 29 quartos, banhos termais e uma coleção de pinturas, cerâmicas e objetos históricos. A propriedade mostra como a arquitetura e os rituais de hospitalidade podem organizar uma visita a Kinosaki, para além dos banhos públicos.

A gastronomia acompanha a geografia. Na região de Tajima, que se volta para o mar do Japão, peixes e crustáceos dividem espaço com a carne local. O turismo de Hyogo destaca especialmente os caranguejos Matsuba, associados à temporada mais fria, e o gado Tajima, que participa da história do Kobe beef. A apresentação oficial da região inclui ainda as ruínas do Castelo de Takeda, por vezes vistas entre nuvens baixas, e antigas cidades mineradoras.

Ilha Awaji: arquitetura de Tadao Ando diante do mar Interior de Seto

A face meridional da prefeitura inclui também Awaji, ilha ligada ao continente pela Ponte Akashi Kaikyo. Ali, o Awaji Yumebutai aproxima arquitetura contemporânea, paisagismo e hospedagem em uma área voltada para o mar Interior de Seto.

O conjunto foi concebido pelo arquiteto Tadao Ando e inclui o jardim escalonado Hyakudan-en, com 100 canteiros organizados em diferentes níveis. A apresentação oficial da atração destaca a relação entre os percursos, o concreto, a vegetação e as vistas para o mar. Na mesma área fica o Hotel Grand Nikko Awaji, que integra a proposta de hospitalidade do complexo.

Em vez de castelos e hospedarias de madeira, o visitante encontra aqui uma leitura contemporânea da paisagem japonesa. A ilha oferece outro caminho para entender Hyogo: o contato com a natureza aparece nas decisões arquitetônicas, nos jardins e na organização dos espaços voltados para o litoral.

Como transformar Hyogo em um roteiro de viagem para 2027

Há três caminhos distintos para organizar a visita. O primeiro privilegia patrimônio e cidade, combinando Himeji, seu castelo e jardins, com os bairros históricos e o porto de Kobe. O segundo se concentra em hospitalidade e banhos termais, dedicando tempo a Arima Onsen ou seguindo mais ao norte para Kinosaki, onde uma noite em ryokan permite acompanhar o ritmo da localidade depois do movimento das excursões diurnas. O terceiro olha para arquitetura e litoral, com a Ilha Awaji e seu conjunto projetado por Tadao Ando.

Esses percursos podem ser articulados a partir de Osaka ou Quioto, com transporte ferroviário e conexões rodoviárias conforme a área escolhida. O turismo oficial de Hyogo apresenta, por exemplo, um roteiro de Himeji a Awaji de carro, enquanto o roteiro de Kinosaki e Tajima considera dois pernoites e deslocamentos terrestres.

Ao escolher a época, vale considerar a floração em Himeji na primavera, as paisagens de montanha no outono e o repertório de frutos do mar do norte durante a temporada fria. Horários de visitação, reformas em banhos públicos e possibilidades de hospedagem devem acompanhar o calendário da viagem.

Hyogo chegou ao segundo lugar da lista da Expedia com uma alta de 95% nas buscas, mas o dado ganha outra dimensão quando situado no mapa. A mesma prefeitura reúne um castelo do século XVII, o porto de Kobe, banhos históricos entre montanhas e uma obra de Tadao Ando diante do mar. Em 2027, a escolha pode ser menos sobre visitar um único ponto turístico e mais sobre decidir qual dessas paisagens do Japão conhecer primeiro.