Na manhã de 25 de outubro de 2026, Lucas Pinheiro Braathen começou a nova temporada da Copa do Mundo de Esqui Alpino com uma vitória em Sölden, na Áustria. No slalom gigante masculino, disputado na geleira de Rettenbach, o atleta que representa o Brasil terminou 0,48 segundo à frente do suíço Loïc Meillard. Marco Odermatt, também da Suíça, foi o terceiro, a 0,49 segundo do vencedor.

A corrida prolongou uma sequência que já incluía o ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 e as vitórias do fim da temporada anterior. Aos 26 anos, Lucas voltou ao circuito com o título olímpico e o Globo de Cristal do slalom gigante conquistados no mesmo ano. A Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) registrou que esta foi sua quarta vitória consecutiva em competições de elite da modalidade, contando a disputa olímpica.

A notícia ganha outra dimensão quando se observa a trajetória do esquiador fora da neve. Embaixador global da Moncler Grenoble, ele participou de campanhas internacionais de moda e colaborou com o desenvolvimento de vestuário de competição. Sua atuação cruza duas atividades raramente associadas ao mesmo personagem brasileiro: a disputa pelo topo do esqui alpino e o trabalho de imagem e design com uma grife italiana especializada em roupas de montanha.

O que aconteceu na abertura da Copa do Mundo em Sölden

A prova masculina foi realizada em condições de vento forte, com o ponto de largada deslocado para uma posição mais baixa. O percurso encurtado exigiu atenção especial dos competidores, que enfrentaram uma pista irregular na abertura da temporada 2026/27.

Lucas terminou a primeira descida na liderança e administrou a vantagem na segunda. O tempo somado das duas passagens foi de 1 minuto, 44 segundos e 72 centésimos. Meillard ficou em segundo, 48 centésimos atrás. Odermatt completou o pódio a apenas um centésimo do compatriota.

Havia também uma particularidade histórica naquela montanha. Lucas já havia vencido a etapa de Sölden em 2020, quando ainda representava a Noruega. Seis anos depois, retornou ao mesmo lugar competindo pelo Brasil. Entre uma vitória e outra, anunciou uma aposentadoria temporária, voltou às pistas e mudou sua representação esportiva para o país de sua mãe brasileira.

Na entrevista divulgada pela FIS após a prova, o atleta falou sobre a pressão de iniciar a defesa dos resultados conquistados na temporada passada. Para ele, a retomada das competições exigia estabelecer novas metas depois de um ano que havia transformado seu lugar no esporte.

De Bormio ao primeiro ouro olímpico de inverno do Brasil

Em 14 de fevereiro de 2026, Lucas venceu o slalom gigante masculino nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, em uma prova disputada em Bormio, na Itália. O resultado representou a primeira medalha da história do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno e também o primeiro ouro de um país sul-americano no evento.

O feito aparece tanto nos registros do Comitê Olímpico Internacional quanto na documentação do Comitê Olímpico do Brasil. Na sequência daquele período, Lucas encerrou a temporada 2025/26 como campeão da classificação do slalom gigante da Copa do Mundo, recebendo o Globo de Cristal da disciplina.

Nascido em Oslo, em 19 de abril de 2000, filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta desenvolveu sua carreira inicial na equipe da Noruega. Em 2023, interrompeu temporariamente a atividade competitiva. Voltou ao circuito defendendo o Brasil em 2024, antes de estrear com a bandeira brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.

Essas mudanças explicam por que Sölden é um endereço particularmente simbólico em seu calendário. A estação austríaca havia sido palco de uma vitória no começo de sua carreira internacional e, agora, recebeu a primeira competição de uma nova temporada em que ele tenta confirmar os resultados históricos alcançados pelo Brasil.

A ligação de Lucas Pinheiro Braathen com a Moncler Grenoble

A relação com a moda não começou depois da medalha olímpica. A Moncler apresentou Lucas Pinheiro Braathen como embaixador global da Moncler Grenoble em 2024, quando ele voltou a competir sob a bandeira brasileira. O atleta participou da campanha de outono/inverno da marca ao lado de nomes de esportes de neve como Shaun White e Perrine Laffont.

A escolha é coerente com o segmento em que a Moncler Grenoble atua: roupas e equipamentos concebidos para atividades em ambientes de montanha. No caso de Lucas, essa presença também ganhou uma dimensão criativa. A linha de competição apresentada pela marca para o Time Brasil foi desenvolvida com participação do próprio esquiador, incorporando referências à bandeira brasileira.

Para Milão-Cortina 2026, a Moncler foi patrocinadora técnica da equipe brasileira de esqui alpino e forneceu trajes destinados a treinos e competições. Em outra frente, os uniformes usados pela delegação nas cerimônias olímpicas foram cocriados pela grife com o designer brasileiro Oskar Metsavaht, sob a direção criativa de Remo Ruffini. É importante distinguir os dois trabalhos: a participação de Lucas no traje de corrida não significa que ele tenha sido o autor dos uniformes cerimoniais.

O Comitê Olímpico do Brasil descreveu as capas brancas usadas pelos porta-bandeiras como referências à jaqueta Karakorum, peça histórica da Moncler ligada ao montanhismo. Lucas e Nicole Silveira vestiram as versões especiais na abertura dos Jogos.

Moda, design e identidade brasileira além das pistas

Em perfil publicado pelo Comitê Olímpico do Brasil, Lucas também aparece como modelo, participante de eventos de moda e colaborador em acessórios de esqui. Entre esses trabalhos está uma linha de óculos de proteção desenvolvida com a Oakley. O atleta passou a morar em Milão em 2025, aproximando ainda mais sua rotina do calendário internacional da moda.

Essa presença fora do esporte não substitui suas conquistas na neve. Ajuda, porém, a compreender como a imagem de um esquiador brasileiro pode circular em campanhas de uma casa italiana, em coleções de vestuário técnico e em competições disputadas nas montanhas europeias.

O retorno a Sölden oferece um retrato preciso desse percurso. Em 2020, Lucas venceu na Áustria defendendo a Noruega. Em fevereiro de 2026, fez história nos Jogos de Inverno pelo Brasil. Em outubro, voltou à mesma pista austríaca como campeão olímpico e venceu novamente, agora com a bandeira brasileira ao lado do seu nome no resultado oficial.