Uma bolsa em formato de meia-lua, feita em couro macio e com uma versão mais discreta do fecho Triomphe, tornou-se a peça mais vendida entre as bolsas da Celine na nova fase de Michael Rider. O modelo Soft Triomphe Small Half Moon, citado a € 2.200 na Europa em outubro de 2026, foi destacado pela presidente-executiva Séverine Merle em uma entrevista à Vogue Business publicada em 28 de outubro. A informação sobre a liderança nas vendas vem da própria maison; o preço corresponde à referência apresentada na entrevista, não a todas as versões da linha.

A escolha tem algo de revelador. Rider voltou à casa francesa com uma proposta de roupas para serem combinadas livremente, cores intensas e acessórios reconhecíveis. No caso da Soft Triomphe, o monograma histórico permanece, mas aparece em escala menor, sobre uma bolsa de linhas arredondadas e couro mais maleável. Merle descreveu justamente essa combinação de logotipo reinterpretado, novas cores e materiais como um dos objetivos do estilista.

O desenho de uma bolsa que chegou ao topo das vendas

O nome Triomphe pertence à história da Celine e já identificava bolsas muito antes de Michael Rider. Ao trabalhar com o mesmo símbolo em modelos de proporções diferentes, o estilista preserva uma assinatura da grife sem repetir a estrutura de todas as peças anteriores. A coleção Soft Triomphe no site brasileiro da Celine reúne bolsas de ombro e versões meia-lua em couro e outros materiais. Os preços no Brasil variam conforme o modelo e não devem ser convertidos automaticamente da cifra europeia citada na entrevista.

A bolsa também não é apresentada como uma peça isolada da temporada. Ela integra uma família de acessórios, com variações de tamanho, textura e cor. Esse trabalho ajuda a explicar por que a Celine pode manter um código visual reconhecível ao mesmo tempo que muda a forma de vesti-lo. A declaração de Merle sobre o desempenho do modelo é comercial, mas aponta para um produto específico, com nome, silhueta e preço identificáveis.

Como Michael Rider chegou à Celine

O americano foi anunciado como diretor criativo em 2 de outubro de 2024, para assumir o posto no início de 2025. Antes de trabalhar na Polo Ralph Lauren, havia passado cerca de uma década na própria Celine, durante a gestão de Phoebe Philo. Sua primeira coleção à frente da casa foi apresentada em julho de 2025, depois da saída de Hedi Slimane. A familiaridade com o arquivo da maison ajuda a situar sua releitura do Triomphe, sem atribuir a ele a criação original do símbolo.

Na passarela, Rider passou a explorar malhas sobre os ombros, cores como vermelho e azul, alfaiataria e combinações menos rígidas de roupas e acessórios. A linguagem também chegou às lojas. A principal boutique da avenida Montaigne, em Paris, foi citada na entrevista como referência para uma apresentação de produtos com cores agrupadas e vitrines reorganizadas, antes de mudanças mais amplas em outros endereços.

Da passarela às buscas por bolsas

Os números divulgados em outubro ajudam a dimensionar o interesse por essa fase. No Lyst Index do terceiro trimestre de 2026, a Celine passou do 15º para o 10º lugar entre as marcas do ranking, entrando no grupo das dez primeiras. A plataforma também destacou o desempenho da colaboração com a Reebok e o interesse por suas coleções masculinas. O indicador mede comportamento de busca e compra na plataforma, não o faturamento total da maison.

Outro retrato vem do mercado de segunda mão. Segundo números apresentados à Vogue Business, as pesquisas por “Celine” e “Michael Rider” na Vestiaire Collective cresceram 200% entre janeiro e setembro de 2026. Depois do desfile de primavera-verão 2027, as buscas por bolsas Triomphe na plataforma aumentaram 1.800% em outubro ante setembro. O crescimento é da atividade de busca naquele serviço, não das vendas globais da Celine. Ainda assim, mostra que o interesse pela identidade visual proposta por Rider também se manifesta fora das passarelas.

O próximo capítulo está nas lojas

Séverine Merle afirmou que a Celine pretende ampliar seu alcance mantendo a atenção aos clientes locais. Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão aparecem entre os mercados relevantes, enquanto a renovação de lojas integra os planos da marca. É uma expansão que passa pela forma de apresentar a coleção, pela escolha de produtos e pelo ambiente em que eles são vistos.

Na apresentação de resultados do terceiro trimestre, a diretora financeira do LVMH, Cécile Cabanis, também destacou o desempenho da Soft Triomphe e o crescimento de dois dígitos da Celine nos Estados Unidos e na categoria de calçados. São sinais da mesma fase que Merle descreveu à Vogue Business, agora observada tanto nas vitrines quanto no comportamento de compra.