Arcos de tijolos claros acompanham a fachada. No interior, uma rotunda revestida de calcário marfim recebe luz de uma grande claraboia, enquanto áreas de marchetaria em madeira de cerejeira exibem artigos de couro. Essa é a nova configuração da loja da Hermès em Americana Manhasset, em Long Island, reaberta em 29 de outubro de 2026. A arquitetura foi desenvolvida pelo escritório parisiense RDAI com referências às residências e à paisagem costeira da Gold Coast, no estado de Nova York.
A boutique ocupa um único pavimento de pé-direito duplo e reúne os 16 métiers, como a Hermès denomina suas áreas de atividade, de seda e artigos de couro a joias, relógios, moda e objetos para a casa. A reforma reorganizou a circulação como uma sequência de cômodos, com materiais, cores e iluminação próprios para cada setor. A ideia das grandes casas da região aparece na escala dos ambientes, no desenho das curvas e na presença de arte entre as coleções.
Arcos claros e referências às casas da Gold Coast
A fachada voltada para a rua ganhou arcos ritmados e janelas amplas. Os tijolos de tom pálido acompanham as curvas do projeto, que remetem ao contorno da costa e à arquitetura residencial de Nassau County. A inspiração vem especialmente da atmosfera dos anos 1930, quando a Gold Coast era associada a casas de campo, jardins e propriedades junto à água. A loja fica no centro comercial Americana Manhasset, não diretamente à beira-mar.
A entrada apresenta dois sinais conhecidos da Hermès: o ex-libris da maison e o piso em mosaico Faubourg. A partir dali, o percurso passa pelos lenços de seda, pelas joias de moda e pelos perfumes e produtos de beleza. À direita, joalheria e relojoaria aparecem em um ambiente de tons verdes. À esquerda, o setor masculino tem armários de nogueira e desenhos que retomam os arcos da fachada.
Uma rotunda para os objetos da casa
No centro da boutique, a rotunda iluminada por claraboia abriga a coleção de objetos para a casa diante de paredes em calcário marfim. Essa área circular organiza os ambientes vizinhos sem transformar a loja em uma sucessão de vitrines idênticas. O projeto trabalha com a sensação de passagem por diferentes espaços de uma residência, preservando a iluminação natural como elemento comum.
As bolsas e os artigos ligados ao universo equestre ocupam áreas com marchetaria de cerejeira em padrão chevron. Nas coleções femininas, os tons de verde acompanham roupas e calçados, enquanto referências ao motivo chaîne d’ancre aparecem no desenho do espaço. Tapetes inspirados nas pequenas enseadas da costa e superfícies de estuque geométrico completam os acabamentos descritos pela maison.
Cartier-Bresson e Romy Elliott entre as coleções
Obras da coleção de Émile Hermès e da coleção de fotografia contemporânea da casa participam do ambiente. Uma delas é Bal de la Reine Charlotte, fotografia de Henri Cartier-Bresson. Pinturas da artista britânica Romy Elliott, que retratam cães e cavalos, aproximam a seleção de arte do universo animal associado à marca. São trabalhos incorporados à decoração da boutique, entre móveis, tapetes e artigos expostos.
A arquitetura é do RDAI, escritório parisiense fundado por Rena Dumas em 1972 e associado à Hermès desde 1976. A parceria, que atravessa décadas, aparece em lojas e projetos da maison em diferentes países.
Onde fica a nova loja da Hermès em Manhasset
O endereço é 1988 Northern Boulevard, Manhasset, Nova York, no complexo Americana Manhasset, na região noroeste de Long Island. A Hermès já operava no local e anunciou a reabertura da boutique renovada em 29 de outubro. O projeto não foi apresentado como uma loja em Manhattan, nem como uma residência histórica convertida em estabelecimento comercial.
Para a reabertura, a ceramista e escultora americana Annie Duncan criou a instalação da vitrine: um ateliê imaginário em que objetos coletados e peças da Hermès surgem em escalas diferentes. É o último detalhe de um projeto que recupera a atmosfera das casas da Gold Coast em pleno endereço comercial de Manhasset.