Às margens do Waikato River, em Taupō, na Ilha Norte da Nova Zelândia, o Huka Lodge completou um século de história e iniciou seu segundo século em nova fase. A propriedade nasceu em 1924, quando o irlandês Alan Pye instalou ali um acampamento de pesca formado por tendas de lona branca fincadas junto ao rio, e voltou a receber hóspedes em 1º de março de 2025, depois de uma renovação de aproximadamente NZ$ 25 milhões.
A reabertura marca um novo capítulo de uma das propriedades mais conhecidas da hotelaria neozelandesa, sem apagar as camadas construídas ao longo de cem anos. O acampamento de pescadores dos anos 1920 deu lugar, com o tempo, a um lodge de alto padrão que preservou a relação com o rio, a pesca com mosca e a paisagem que atraiu Alan Pye à região.
De acampamento de pesca a lodge de alto padrão
A origem do Huka Lodge está diretamente ligada à pesca. As águas ricas em trutas do Waikato River foram a razão original para Alan Pye montar seu acampamento bem posicionado às margens do rio, em 1924. As primeiras acomodações eram tendas de lona branca, e a hospitalidade construída por Pye e sua esposa se tornaria a base da identidade da casa.

A transformação decisiva começou em 1984, quando o empresário Alex van Heeren assumiu a propriedade. Foi nesse período que o Huka Lodge ganhou a configuração de lodge de luxo que o projetaria internacionalmente. A designer neozelandesa Virginia Fisher participou da construção da identidade dos interiores e definiu um estilo que acompanharia a casa por décadas, aproximando o Huka Lodge de outras restauração de propriedades históricas que mantêm o caráter original ao serem atualizadas.
A reforma de NZ$ 25 milhões e a reabertura em 2025
A propriedade passou por uma grande renovação antes de voltar a operar em 1º de março de 2025. O investimento informado foi de aproximadamente NZ$ 25 milhões. Por se tratar de uma casa que existe desde 1924, o marco correto é de reabertura, e não de inauguração.

O projeto reuniu três nomes com funções distintas. A arquitetura ficou a cargo da Christian Anderson Architects, responsável por intervenções em áreas como a recepção e a River Room. Os interiores voltaram a ser conduzidos por Virginia Fisher, que já havia moldado a identidade da casa. O paisagismo coube a Suzanne Turley, encarregada dos jardins históricos. A intervenção segue uma tendência recorrente na hotelaria contemporânea, também observada na transformação de edifícios históricos em hotéis de alto padrão.
Vinte suítes, duas residências e 17 acres de jardins
A configuração atual do Huka Lodge reúne 20 suítes e duas residências privadas, distribuídas por cerca de 17 acres de jardins às margens do Waikato River. As duas residências são a Alan Pye Cottage e a Alex van Heeren Cottage, que combinam a privacidade de uma casa independente com os serviços do lodge.

A Alan Pye Cottage tem aproximadamente 325 m² e inclui piscina de borda infinita, spa aquecido e áreas externas privativas, em posição elevada sobre o rio. A Alex van Heeren Cottage, com cerca de 364 m², ocupa um ponto privilegiado da propriedade, com relação visual com o Waikato River e a região das Huka Falls.

Gastronomia, bem-estar e experiências à beira do rio
A proposta gastronômica explora diferentes ambientes da propriedade, com jantares que podem acontecer em locais variados dos jardins e das áreas sociais, apoiados por uma adega. A oferta de bem-estar complementa a estada, na mesma lógica de hospitalidade integrada que aproxima o Huka Lodge de marcas globais de hotelaria de luxo.

A pesca com mosca permanece como elemento central, ligando a experiência atual à origem da casa. A região é conhecida pela pesca de trutas, especialmente rainbow trout e brown trout. A proximidade com as Huka Falls e o Lake Taupō amplia o repertório de atividades, sempre tratados como elementos geográficos distintos do próprio lodge.

Elizabeth II e os reconhecimentos recentes
Entre os capítulos mais citados da história da casa está a relação com a realeza britânica. Segundo o registro oficial do Huka Lodge, a rainha Elizabeth II visitou a propriedade quatro vezes durante seu reinado, algumas delas acompanhada pelo príncipe Philip, duque de Edimburgo.

A fase mais recente trouxe uma série de reconhecimentos internacionais. O Huka Lodge recebeu Two MICHELIN Keys, a distinção de hotelaria do guia MICHELIN, sistema que não deve ser confundido com as estrelas dos restaurantes. Na edição de 2025 do The World’s 50 Best Hotels, a casa ficou na 88ª posição da lista 51 a 100. O Forbes Travel Guide atribuiu a ela a classificação Four-Star em 2026, e a propriedade integra a Gold List 2026 da Condé Nast Traveler.
Reunidos, esses reconhecimentos ajudam a situar o Huka Lodge no cenário da hospitalidade de alto padrão depois da reforma, ao lado de outros hotéis premiados em regiões vinícolas e de destinos internacionais procurados por viajantes exigentes. Cem anos após as primeiras tendas de lona de Alan Pye, a casa retoma sua trajetória com a mesma paisagem que a originou: o Waikato River, os jardins e a pesca que deram nome a um dos endereços mais conhecidos da Nova Zelândia.