A Massapê, em São Paulo, reúne trabalhos de Germana Monte-Mór e Mari Ra em uma exposição que aproxima artistas separadas por quase quatro décadas. A mostra evidencia afinidades no uso de formas amplas e sinuosas, na tensão entre figura e fundo e na relação entre abstração, paisagem, corpo e memória da matéria.

A agenda publicada pelo Artequeacontece informa que a exposição fica em cartaz de 18 de julho de 2026, às 14h, a 25 de julho de 2026, às 18h, na Massapê, localizada na Rua Fortunato, 68, em São Paulo. A apresentação do evento destaca a convergência entre duas pesquisas artísticas que, embora separadas por diferentes momentos geracionais, compartilham interesse por elementos que não se acomodam plenamente ao plano.

O ponto de aproximação entre as artistas está menos em uma semelhança formal direta e mais na maneira como cada obra tensiona a superfície. As formas sinuosas, a relação entre preenchimento e vazio e o deslocamento entre figura e fundo aparecem como questões centrais na leitura proposta pela exposição. A abstração, nas duas produções, não se fecha em linguagem autônoma, mas se aproxima de referências ao corpo, à paisagem e à materialidade.

Germana Monte-Mór, matéria e superfície

Germana Monte-Mór, nascida em 1958, construiu ao longo dos anos 1990 uma obra em que o asfalto assume papel decisivo. A matéria densa desenha e impregna papel e tecido, avançando sobre áreas claras como uma formação sedimentar. A apresentação da mostra ressalta esse uso do asfalto como elemento que carrega peso, densidade e memória física, aproximando a imagem de uma superfície marcada pelo tempo.

Na produção recente de Germana Monte-Mór, essa investigação se abre à cor e ganha uma profundidade literal. A superfície passa a ser recortada, e as aberturas cavadas na tela expõem planos cromáticos sobrepostos. A obra, nesse contexto, deixa de operar apenas como campo visual e passa a lidar também com camadas, cortes e uma espacialidade interna que altera a relação do observador com o plano pictórico.

Mari Ra e a cor como repertório visual

Mari Ra, nascida em 1996, parte de outro vocabulário visual. Sua pesquisa é descrita a partir da cor vibrante e de um repertório popular formado por fachadas, fantasias e objetos da vida cotidiana. A artista compõe imagens de força magnética, situadas entre a ordenação geométrica e a livre fabulação, com linhas serpenteadas que delineiam corpos possíveis e conduzem o olhar por percursos contínuos.

Duas gerações da abstração brasileira

O encontro entre as duas artistas propõe uma leitura sobre continuidade e diferença na produção contemporânea. Enquanto Germana Monte-Mór trabalha com densidade, impregnação e sedimentação da matéria, Mari Ra organiza um campo visual conduzido por cor, ritmo e repertórios cotidianos. Em ambas, porém, a forma não se estabiliza como contorno fixo, mas se comporta como deslocamento, passagem e tensão entre presença e fundo.

A exposição na Massapê insere essas pesquisas em um mesmo campo de observação, aproximando obras que roçam paisagem e corpo sem depender de representação literal. O interesse pela matéria, pelo limite do plano e pela construção de imagens que parecem avançar ou escapar da superfície conduz a leitura do conjunto.

Ao reunir Germana Monte-Mór e Mari Ra, a mostra oferece um recorte sobre a abstração como território de experimentação material e visual. A exposição aponta para formas que preservam memória, movimento e instabilidade, estabelecendo um diálogo entre gerações e procedimentos distintos dentro da arte contemporânea brasileira.