O GX42 já saiu do papel, foi lançado ao mar em Istambul e se prepara para aparecer ao público pela primeira vez no Monaco Yacht Show 2026, marcado para 23 a 26 de setembro. Batizada de Merinos, a primeira unidade física do modelo levará a Mônaco uma combinação de propulsão híbrida diesel-elétrica, painéis solares integrados e baterias de lítio.

O lançamento ao mar ocorreu em 25 de agosto no estaleiro SES Yachts, na Turquia. Depois dessa etapa, o superiate entrou na fase final de acabamento e testes marítimos antes da apresentação em Port Hercule, de acordo com a BOAT International.

A GX Superyachts informa que receberá visitantes no Quai L’Hirondelle, Berth H24, durante os quatro dias do salão. A agenda está publicada na página oficial da marca, que apresenta o evento como a estreia pública do primeiro GX42. Mônaco, portanto, não é o local do lançamento ao mar, mas o palco da primeira exibição ao público.

Primeiro GX42 confirma a passagem do projeto para a água

A chegada de Merinos à água é relevante porque transforma uma proposta apresentada inicialmente por desenhos, dados técnicos e imagens digitais em um iate construído. O modelo foi revelado em 2024, no próprio Monaco Yacht Show, quando a nova marca tornou pública sua intenção de atuar com embarcações híbridas entre 24 e 56 metros.

Dois anos depois, a primeira unidade da linha está pronta para inspeção pública. A cobertura do lançamento pela BOAT International registra que a embarcação foi construída em Istambul pela SES Yachts e identifica Merinos como o primeiro exemplar da configuração Raised Pilot House, ou RPH.

Equipe da Greenline Yachts leva experiência híbrida ao segmento de superiates

A GX Superyachts foi criada pela equipe por trás da Greenline Yachts, sem ser apenas uma mudança de nome da fabricante. A origem técnica importa porque a Greenline trabalha há mais de 15 anos com propulsão híbrida para embarcações de lazer. No lançamento institucional da GX, a empresa citou 16 anos de experiência, mais de mil iates entregues e cerca de 250 mil milhas navegadas, de acordo com o material oficial de apresentação da marca.

O GX42 aplica esse conhecimento a uma escala maior, com sistemas de energia destinados não só à movimentação do casco, mas também ao consumo de equipamentos durante a navegação e a permanência fundeada. A transição para o segmento de superiates amplia as exigências de engenharia, integração e gestão de energia a bordo.

GX42 mede 42,10 metros e adota configuração RPH

O modelo tem 42,10 metros de comprimento, 8,50 metros de boca e calado de 1,90 metro. A velocidade máxima divulgada é de 16 nós, enquanto a velocidade de cruzeiro é de 12 nós, de acordo com a ficha técnica publicada pela GX Superyachts.

  • Comprimento: 42,10 metros
  • Boca: 8,50 metros
  • Calado: 1,90 metro
  • Velocidade máxima divulgada: 16 nós
  • Velocidade de cruzeiro: 12 nós

A primeira unidade pertence à versão GX42 RPH, sigla para Raised Pilot House. A configuração possui arqueação bruta divulgada de 353 GT, deslocamento de 260 toneladas e capacidade solar instalada de até 27 kW, segundo os dados oficiais do modelo. Esses números descrevem a configuração apresentada pela marca e não devem ser transferidos automaticamente para eventuais versões futuras.

O desenho externo e os interiores são assinados pelo italiano Marco Casali, fundador do estúdio Too Design. A arquitetura naval e o casco foram desenvolvidos por Francesco Rogantin, do estúdio NAMES, e a construção foi realizada em parceria com a SES Yachts, de acordo com a documentação reunida pela BOAT International.

Propulsão híbrida integra diesel, motores elétricos e baterias

O sistema energético reúne motores a diesel, propulsão elétrica e um banco de baterias de lítio. A documentação consultada descreve uma solução híbrida diesel-elétrica, associada a painéis solares instalados nas superfícies superiores. A integração permite direcionar fontes diferentes conforme a demanda de navegação ou o consumo hoteleiro do iate.

Segundo a GX Superyachts, o sistema foi desenvolvido para oferecer modos de navegação sem emissões locais, operação de cargas de hotelaria sem emissões durante a ancoragem, navegação econômica e recarga rápida das baterias por geradores. As expressões representam capacidades declaradas pela fabricante, não resultados de uma avaliação independente.

Na prática, o banco de baterias pode alimentar sistemas de bordo em situações nas quais o acionamento contínuo dos geradores a diesel seria necessário em uma embarcação convencional. Isso tende a reduzir ruído e vibração, dois fatores que afetam diretamente o conforto em áreas internas e externas, sobretudo à noite ou durante períodos fundeados.

Os painéis solares complementam a geração, mas não substituem sozinhos a energia exigida por um superiate de 42 metros em todas as condições. A produção varia com incidência solar, orientação, temperatura e consumo simultâneo. Seu papel está na arquitetura integrada: adicionar eletricidade renovável ao sistema, aliviar parte da carga e contribuir para a eficiência energética a bordo.

Energia solar em iates passa a integrar o projeto desde a origem

A presença de até 27 kW de capacidade solar na configuração RPH mostra que a energia fotovoltaica foi considerada no desenho do GX42, em vez de aparecer como acessório instalado depois. Em iates, essa integração exige compatibilizar área disponível, sombra produzida por equipamentos, circulação no convés e conexão com baterias e sistemas elétricos.

A empresa associa o conjunto à redução de emissões, ao funcionamento mais silencioso e à possibilidade de manter cargas de hotelaria sem ligar geradores em determinadas condições. A GX também divulga a ancoragem com zero emissão local como uma das funções do sistema, de acordo com sua apresentação técnica. O desempenho efetivo dependerá do perfil de uso e deverá ser observado depois dos testes e da entrada em operação.

Interiores foram desenhados para uso familiar

O projeto de interiores segue uma orientação descrita pela GX como familiar. Marco Casali organizou os ambientes para estadias prolongadas e circulação cotidiana, com linguagem contemporânea e materiais apresentados pela marca em 2025, quando a construção ainda avançava na Turquia, de acordo com o comunicado sobre o interior do primeiro GX42.

Estreia no Monaco Yacht Show 2026 acontece ainda em setembro

O Monaco Yacht Show será realizado de 23 a 26 de setembro de 2026 em Port Hercule. A GX Superyachts confirmou a presença de Merinos no Quai L’Hirondelle, Berth H24, e abriu o registro de interesse para visitas a bordo em sua página oficial.

A apresentação ocorre menos de um mês depois do lançamento ao mar, o que concentra em poucas semanas duas etapas relevantes: a passagem do casco para a água e o primeiro contato público com a embarcação concluída. Para a marca criada em 2024, o evento também funcionará como verificação pública de uma proposta que até então era conhecida principalmente por informações de projeto.

O GX42 chega a Mônaco como um superiate de 42 metros já construído, com propulsão híbrida, baterias e painéis solares incorporados ao sistema energético. A estreia permitirá observar de perto como essas soluções foram instaladas e como a GX Superyachts pretende transferir a experiência acumulada pela equipe da Greenline Yachts para embarcações de maior porte.