Dolly Parton morreu em Nashville, no Tennessee, em 25 de agosto de 2026, aos 80 anos. A morte foi confirmada em seu site oficial, que informou que a cantora morreu pacificamente na cidade onde construiu boa parte de sua carreira. Seu publicista, Marcel Pariseau, disse à Associated Press que Parton havia enfrentado uma breve batalha contra o câncer e morreu no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, cercada por pessoas próximas.

O comunicado da família lembrou que ela foi precedida na morte pelo marido, Carl Thomas Dean, com quem viveu por 59 anos, e pelos pais, Avie Lee Caroline Owens e Robert Lee Parton.

A notícia encerra uma carreira de sete décadas. Contar quem foi Dolly Parton, porém, exige voltar muito antes de “Jolene”, dos cabelos platinados, dos vestidos cobertos de cristais e de uma imagem que se tornou reconhecível em praticamente qualquer lugar do mundo.

Ela cresceu em uma família de 12 filhos em uma casa de um único quarto nas montanhas do Tennessee. Escreveu milhares de canções. Vendeu mais de 100 milhões de discos. Chegou ao cinema e à Broadway. Transformou sua origem em um dos grandes destinos turísticos do Tennessee, construiu negócios em hotelaria e entretenimento e criou um programa de alfabetização infantil que já enviou centenas de milhões de livros gratuitamente a crianças em cinco países.

A dimensão de Dolly Parton nunca esteve apenas nas paradas musicais.

Quem foi Dolly Parton: a infância nas montanhas do Tennessee

Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Sevier County, no leste do Tennessee, e cresceu em Locust Ridge, na região das Great Smoky Mountains. Era a quarta dos 12 filhos de Robert Lee Parton e Avie Lee Owens Parton.

O pai trabalhava principalmente com agricultura, e a família vivia com poucos recursos. A casa onde cresceu tinha apenas um quarto, circunstância que mais tarde se tornaria parte importante das histórias e músicas que escreveu.

A música apareceu cedo. Aos cinco anos, Dolly criou “Little Tiny Tasseltop”, inspirada em uma boneca feita com uma espiga de milho. Como ainda não sabia escrever, sua mãe anotou as palavras enquanto ela cantava.

Seu tio Bill Owens, também compositor, passou a levá-la a Nashville e a incentivou a desenvolver o talento. Aos 10 anos, Dolly já cantava em programas locais de rádio e televisão. Aos 13, chegou ao palco do Grand Ole Opry, uma das instituições fundamentais da música country americana. Em 4 de janeiro de 1969, tornou-se oficialmente integrante do Opry.

A origem rural não seria apagada conforme sua fama crescesse. As montanhas, a família, a religiosidade, as dificuldades financeiras e as histórias ouvidas durante a infância formariam uma espécie de arquivo emocional para sua obra.

De uma casa de um quarto a Nashville

Dolly Parton em estúdio de gravação nos anos 1960, no início da carreira em Nashville
Dolly Parton em estúdio no início da carreira em Nashville, nos anos 1960. Foto: divulgação/dollyparton.com

Depois de concluir o ensino médio, Dolly Parton seguiu para Nashville para tentar viver de música. Chegou à cidade com uma ambição bastante específica: queria escrever canções e encontrar artistas que as gravassem.

Foi no primeiro dia em Nashville que ela conheceu Carl Thomas Dean, diante de uma lavanderia. Os dois se casaram em 30 de maio de 1966, em Ringgold, na Geórgia, em cerimônia reservada. Dean evitava a exposição pública associada à carreira da mulher, e permaneceu casado com ela até sua morte, em março de 2025.

Em 1965, Dolly assinou seu primeiro contrato com a Monument Records, seguido por um contrato de composição com a Combine Music. O álbum de estreia, Hello, I’m Dolly, chegou às paradas country com os singles “Dumb Blonde” e “Something Fishy”.

O primeiro grande salto de visibilidade aconteceu em 1967, quando ela entrou para o programa de televisão de Porter Wagoner, então uma figura importante do country americano.

A parceria se tornaria uma das mais influentes do início de sua carreira. Entre 1967 e 1974, Dolly e Wagoner gravaram cerca de uma dezena de álbuns de estúdio, fizeram televisão e se apresentaram juntos. A exposição a colocou diante de um público nacional e levou a um contrato próprio com a RCA.

Seu primeiro single solo a alcançar o primeiro lugar nas paradas country foi “Joshua”, em fevereiro de 1971. Nos anos seguintes vieram “Coat of Many Colors”, “My Tennessee Mountain Home” e “Jolene”.

A relação profissional com Wagoner também se tornou difícil quando Dolly decidiu construir sua carreira solo. Foi desse rompimento que nasceu uma de suas músicas mais importantes.

A despedida de Porter Wagoner que virou “I Will Always Love You”

I Will Always Love You” costuma ser ouvida como uma grande declaração romântica. Sua origem estava em uma separação profissional.

Dolly escreveu a música em 1973, ao decidir deixar a parceria com Porter Wagoner. Em vez de transformar o conflito em uma nova discussão, colocou em uma canção a gratidão pelo que haviam construído e a necessidade de seguir seu próprio caminho.

A composição chegou ao primeiro lugar da parada country em 1974. O feito seria repetido em 1982, quando Dolly gravou uma nova versão para o filme The Best Little Whorehouse in Texas.

Então aconteceu algo ainda maior. Em 1992, Whitney Houston gravou a canção para a trilha sonora de The Bodyguard. Sua interpretação permaneceu 14 semanas no primeiro lugar da Billboard nos Estados Unidos e transformou uma música escrita quase duas décadas antes em um fenômeno global.

A história também revela outro lado de Dolly Parton: seu rigor como empresária.

Por que Dolly Parton disse não a Elvis Presley

Antes de Whitney Houston, Elvis Presley demonstrou interesse em gravar “I Will Always Love You”.

Para uma compositora ainda consolidando uma carreira solo, ouvir sua música na voz de Elvis poderia representar uma oportunidade excepcional. Havia uma condição.

Segundo Dolly relatou posteriormente, o empresário de Elvis, Colonel Tom Parker, queria metade dos direitos editoriais da composição. Ela recusou.

A decisão a deixou abalada, mas Dolly não abriu mão da propriedade da música. Em entrevistas ao longo das décadas seguintes, explicou que considerava aquele um dos copyrights mais importantes de sua carreira.

A escolha ganharia outra dimensão após o sucesso da versão de Whitney Houston.

O episódio sintetiza uma característica essencial para entender Dolly Parton. Por trás de uma personagem pública marcada pelo humor, pelos cabelos enormes e por uma estética deliberadamente extravagante, existia uma compositora extremamente consciente do valor econômico de sua propriedade intelectual.

O U.S. Copyright Office usa “I Will Always Love You” em seu acervo expositivo como exemplo para explicar a diferença entre a propriedade de uma composição musical e os direitos de uma gravação específica.

“Jolene” e uma compositora de cerca de 3.000 músicas

Se existe uma música imediatamente associada a Dolly Parton além de “I Will Always Love You”, é “Jolene”.

Lançada em 1973, a composição sobre uma mulher que teme perder o companheiro para outra se transformou em um dos maiores clássicos de sua carreira. Décadas depois, continuaria circulando muito além do country, com versões e releituras de artistas como The White Stripes e Beyoncé.

A força de Dolly como compositora não pode ser medida por duas ou três canções. A Reuters registrou que ela escreveu aproximadamente 3.000 músicas ao longo da vida, embora tenha gravado pessoalmente cerca de 450. Vinte e cinco de suas músicas chegaram ao primeiro lugar nas paradas country da Billboard.

Entre elas estavam narrativas profundamente ligadas à sua própria história. “Coat of Many Colors”, por exemplo, nasceu da lembrança de um casaco feito por sua mãe com retalhos de tecidos quando a família não tinha dinheiro para comprar roupas novas. A experiência poderia ter sido contada apenas como privação. Dolly a transformou em uma história sobre dignidade, afeto e percepção de riqueza.

Essa capacidade de criar imagens simples, compreensíveis e emocionalmente precisas se tornaria uma das características centrais de suas letras.

De “9 to 5” ao cinema

Em 1980, Dolly Parton estreou no cinema em 9 to 5, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Ela não apenas atuou. Também escreveu e interpretou a música-tema do filme.

“9 to 5” se tornou outro de seus grandes sucessos, alcançou o primeiro lugar na Billboard Hot 100 e nas paradas country e rendeu uma indicação ao Oscar de melhor canção original em 1981. Anos depois, Dolly receberia uma segunda indicação, em 2006, por “Travelin’ Thru”, escrita para Transamerica.

Sua carreira como atriz continuou em produções como The Best Little Whorehouse in Texas, Rhinestone, Steel Magnolias, Straight Talk e Joyful Noise. Sua produtora, a Sandollar, assinou especiais de televisão e uma série de variedades exibida entre 1987 e 1988.

A música, entretanto, continuou sendo o eixo central. O perfil oficial da Recording Academy registra 10 vitórias competitivas no Grammy e 55 indicações ao longo da carreira, além do Lifetime Achievement Award concedido em 2011. Dolly entrou para o Country Music Hall of Fame em 1999 e para o Rock & Roll Hall of Fame em 2022.

Em 2023, após inicialmente questionar sua presença no Rock & Roll Hall of Fame por não se considerar uma artista de rock, ela lançou Rockstar, projeto no qual decidiu enfrentar o gênero diretamente.

Nas paradas, a Country Music Association a nomeou Female Vocalist of the Year em 1975 e 1976 e Entertainer of the Year em 1978. Nos anos 1980, gravou com Kenny Rogers “Islands in the Stream”, e os dois seguiram em turnês mundiais entre 1984 e 1990. Em 2014, apresentou-se para 140 mil pessoas no Glastonbury Festival, o maior público de sua carreira.

A construção da imagem de Dolly Parton

A estética de Dolly Parton merece um capítulo próprio porque foi um dos projetos mais consistentes de sua carreira.

Cabelos loiros volumosos, cílios marcados, unhas longas, saltos altos, roupas justas, cristais e cores intensas formaram uma identidade visual criada deliberadamente.

Ela nunca fingiu que aquela aparência fosse natural ou espontânea. Passou décadas fazendo humor sobre o próprio visual.

Dolly entendia a diferença entre a pessoa privada e a personagem pública. Em entrevistas, falava da “imagem Dolly” quase como uma criação que podia ser vestida, modificada e usada como ferramenta de comunicação.

Essa escolha também contrariava a expectativa de que uma mulher precisasse adotar códigos mais discretos para ser reconhecida como compositora séria ou empresária sofisticada. Quanto maior sua carreira se tornava, mais reconhecível ficava sua imagem.

O resultado foi uma marca pessoal capaz de atravessar décadas sem depender de minimalismo, discrição ou dos códigos tradicionais associados à elegância.

Dollywood: quando Dolly transformou sua terra natal em negócio

Talvez nenhum projeto mostre tão claramente a relação entre identidade, negócios e território na carreira de Dolly Parton quanto Dollywood.

O parque localizado em Pigeon Forge, no Tennessee, existia sob outros nomes desde 1961, quando abriu como Rebel Railroad, passando depois por Goldrush Junction e Silver Dollar City Tennessee. Em 1986, Dolly entrou no negócio em parceria com a família Herschend, e o parque passou a se chamar Dollywood.

A decisão tinha um componente pessoal importante. O empreendimento ficava justamente na região onde Dolly havia crescido.

No primeiro ano com o novo nome, o parque recebeu aproximadamente 1,3 milhão de visitantes, alta de cerca de 75% em relação ao ano anterior. Atualmente o parque temático recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano, e o site oficial da artista informa que o conjunto formado pelo parque e pelos negócios afiliados no leste do Tennessee atrai mais de 4 milhões de visitantes anuais.

A propriedade foi sendo ampliada até formar um ecossistema de entretenimento e hospitalidade. O grupo inclui o Dollywood’s Splash Country e dois resorts próximos ao parque. O HeartSong Lodge & Resort, inaugurado em 3 de novembro de 2023, possui 302 quartos e suítes, além de um átrio de quatro andares.

No DreamMore Resort and Spa, a relação com a artista é ainda mais direta. A chamada Dolly Suite 1986 é o antigo motorcoach personalizado que ela usou em viagens, hoje estacionado de forma permanente no resort. A experiência exige permanência mínima de duas noites e tem tarifas a partir de US$ 10 mil, com os lucros destinados à Dollywood Foundation.

Poucos artistas transformaram de maneira tão literal a própria biografia em um ecossistema que combina música, turismo, hotelaria e entretenimento. Sua atuação empresarial criou empregos e oportunidades para milhares de pessoas na região, e as marcas licenciadas alcançaram itens de panificação, alimentos congelados, café, vinhos, fragrâncias, cosméticos, joias, roupas e teatros com jantar.

O novo hotel de Dolly Parton em Nashville

Aos 80 anos, Dolly ainda ampliava esse universo.

Entre seus projetos de 2026 estava o SongTeller Hotel, em Nashville, com 245 quartos e suítes, instalado na 211 Commerce Street, entre a Lower Broadway e a histórica 2nd Avenue.

O edifício também receberá o Dolly’s Life of Many Colors Museum, no terceiro andar. O site oficial do hotel informa abertura prevista para outubro de 2026. O espaço terá mais de 20 mil pés quadrados, cerca de 1.860 metros quadrados, e foi anunciado como a maior exposição dedicada à trajetória de Dolly Parton já realizada.

O empreendimento é revelador porque coloca a composição, e não apenas a celebridade, no centro da experiência. Até o nome SongTeller nasce da identidade de Dolly como autora de histórias em forma de música, e retoma o título de seu livro Songteller: My Life in Lyrics.

O projeto que já distribuiu mais de 325 milhões de livros

O legado de Dolly Parton também alcançou uma escala difícil de comparar com sua carreira musical.

Em 1995, ela criou a Dolly Parton’s Imagination Library em Sevier County, no Tennessee. A inspiração veio de dentro de casa. Seu pai não sabia ler nem escrever, e Dolly queria criar uma forma de aproximar crianças dos livros ainda nos primeiros anos de vida.

O modelo é simples. Crianças inscritas recebem gratuitamente em casa um livro adequado à sua idade todos os meses, do nascimento aos cinco anos.

O projeto começou na região onde Dolly cresceu e depois se expandiu. O marco de 300 milhões de livros foi alcançado no outono de 2025. Em junho de 2026, a Imagination Library já havia distribuído mais de 325 milhões de livros e enviava mais de 3,5 milhões de exemplares por mês para crianças nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e República da Irlanda.

É uma escala que transforma o programa em uma das partes mais importantes de sua história.

A garota criada em uma família em que o pai não tinha acesso à alfabetização criou, décadas depois, uma estrutura capaz de colocar centenas de milhões de livros diretamente nas casas de crianças.

Homenagem a Dolly Parton publicada em seu site oficial com a frase I will always love you
A homenagem publicada no site oficial da artista após sua morte, com a frase “I will always love you” e sua assinatura. Foto: divulgação/dollyparton.com

Após a morte de Dolly, sua família pediu que, em vez de flores, admiradores considerassem fazer doações justamente para a Imagination Library.

A filantropia de Dolly Parton ia além dos livros

A Imagination Library foi o projeto mais duradouro de Dolly Parton, mas não o único. A Dollywood Foundation foi criada em 1988 e começou concedendo bolsas para manter estudantes do leste do Tennessee na escola.

Quando incêndios devastaram sua região natal em 2016, a fundação criou o My People Fund. O programa pagou US$ 1 mil por mês durante seis meses a famílias de Sevier County que haviam perdido suas residências. Na primeira distribuição, 884 famílias receberam auxílio, e a campanha chegou a arrecadar US$ 9,3 milhões ainda em dezembro daquele ano.

Em 2020, Dolly doou US$ 1 milhão para pesquisas conduzidas pela Vanderbilt University relacionadas à Covid-19. O financiamento contribuiu para trabalhos ligados ao desenvolvimento da vacina da Moderna.

Mesmo a celebração de seu aniversário de 80 anos ganhou um componente filantrópico. Em janeiro de 2026, ela lançou uma nova versão de “Light of a Clear Blue Morning”, acompanhada por Lainey Wilson, Miley Cyrus, Queen Latifah e Reba McEntire, com David Foster ao piano. Os rendimentos líquidos foram destinados à pesquisa de câncer pediátrico do Monroe Carell Jr. Children’s Hospital at Vanderbilt.

Dolly Parton continuava lançando projetos em 2026

Os meses anteriores à morte mostram que Dolly Parton não tratava os 80 anos como um encerramento de carreira.

Em 11 de junho de 2026, lançou a marca de café Cup of Ambition, em parceria com a Community Coffee, cujo nome retoma um verso de “9 to 5”. Em 24 de junho, participou da abertura do Dolly’s Tennessean Travel Stop, na saída 22 da rodovia I-65, em Cornersville, no Tennessee.

Em 19 de agosto, apenas seis dias antes de sua morte, seu site oficial anunciou 82 novas certificações internacionais de vendas, acumuladas em 14 países. “Jolene” recebeu certificações de diamante no Canadá e nos Países Baixos, enquanto “9 to 5” alcançou diamante no Canadá.

O dado diz muito sobre a longevidade de seu repertório. Canções compostas décadas antes continuavam recebendo novas certificações enquanto a própria Dolly preparava hotéis, produtos, espetáculos e projetos musicais.

A Broadway continuará contando sua história

Um dos projetos mais pessoais de Dolly Parton ainda não havia chegado à Broadway quando ela morreu.

DOLLY: A True Original Musical começa suas prévias no St. James Theatre, em Nova York, em 7 de dezembro de 2026. A estreia oficial está marcada para 19 de janeiro de 2027, data em que Dolly completaria 81 anos.

A produção reúne músicas como “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “9 to 5” e “I Will Always Love You”, além de novas composições criadas por Dolly especificamente para o espetáculo. O texto é assinado por Dolly Parton e Maria S. Schlatter, com direção de Bartlett Sher.

Após sua morte, a produção confirmou que seguirá para a Broadway como planejado, respeitando o desejo da própria artista.

É uma continuação apropriada para alguém que passou a vida transformando episódios pessoais em narrativa.

E ainda existe uma música de Dolly Parton que ninguém pode ouvir

Há um último detalhe capaz de condensar o senso de espetáculo, humor e controle que Dolly manteve sobre sua própria história.

No lobby do DreamMore Resort, em Pigeon Forge, existe uma cápsula do tempo chamada Dream Box, criada para guardar objetos relacionados à sua vida e aos seus sonhos para o futuro.

Dentro dela está uma canção inédita, intitulada “My Place in History”.

O conteúdo permanece fechado e a gravação deverá ser revelada em 19 de janeiro de 2046, quando Dolly Parton completaria 100 anos. A música foi gravada anos antes de sua morte e foi pensada para permanecer inacessível durante décadas.

Isso significa que, mesmo depois de uma carreira de sete décadas e aproximadamente 3.000 composições, ainda há uma música de Dolly Parton esperando pelo futuro.

O legado de Dolly Parton

É tentador resumir Dolly Parton à expressão “rainha do country”. Ela explica apenas uma parte da história.

Dolly foi uma compositora suficientemente cuidadosa para recusar Elvis Presley quando seus direitos autorais estavam em jogo. Criou músicas que atravessaram cinco décadas e passaram pelas vozes de artistas de gêneros completamente diferentes. Transformou a própria imagem em uma das marcas pessoais mais reconhecíveis da cultura popular.

Também entendeu cedo que fama podia ser convertida em ativos que permanecessem ligados à sua história.

Dollywood levou seu nome de volta às montanhas onde cresceu. Os resorts ampliaram essa presença para a hospitalidade. O SongTeller Hotel leva a narrativa para Nashville. A Imagination Library transformou uma experiência familiar com o analfabetismo em um programa que já colocou mais de 325 milhões de livros nas mãos de crianças.

Dolly Parton saiu de uma casa de um quarto no Tennessee e terminou a vida com seu nome inscrito na música, no cinema, nos negócios, no turismo e na filantropia americana.

Os cabelos platinados e os cristais tornaram sua imagem impossível de confundir. Foram as canções, as decisões e a capacidade de construir algo duradouro em torno delas que explicam por que Dolly Parton se tornou muito maior do que a personagem que aparecia no palco.